Raúl Cubas não é o primeiro
O ex-presidente Raúl Cubas Grau, que renunciou ao cargo há duas semanas, não é o único político paraguaio que procurou o Brasil para fugir da Justiça de seu país. Desde fevereiro de 1989, quando foi deposto após comandar uma sangrenta ditadura de 35 anos, o general Alfredo Stroessner também vive no Brasil.
Antes de se instalar em uma mansão em Brasília, Stroessner e sua família passaram uma temporada em sua luxuosa casa de 14 quartos em Guaratuba (litoral do Paraná). Discreto, Stroessner não fez até agora qualquer comentário sobre a atual situação política do Paraguai e nem sobre o asilo concedido pelo governo brasileiro a Cubas.
Trazidos ao Brasil por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), Cubas e sua família se abrigaram em um apartamento da família, com 300 metros quadrados, de frente para o mar, em Balneário Camboriú (SC). O pedido de asilo político ao Brasil foi feito depois que o presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou a Cubas e o convenceu a renunciar.
Cubas fugiu do Paraguai para escapar da prisão. Ele e seu irmão, Carlos Cubas, então ministro do Interior, tiveram prisão decretada pela Justiça, acusados de responsabilidade nas mortes ocorridas na Praça do Congresso, em Assunção, na madrugada do dia 27 de março, durante uma vigília popular pela renúncia do presidente.
Assim que Cubas anunciou sua renúncia, o pivô da crise, o general de reserva Lino Oviedo, fugiu da prisão onde estava e deixou o país. Ele se refugiou na Argentina, onde também obteve asilo político. O novo ministro de Relações Exteriores paraguaio, Miguel Abdón Saguier, anunciou que sua primeira missão será obter a extradição de Oviedo. (V.D.)





