Rato circula por alimentos de depósito da prefeitura
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sexta-feira, 04 de agosto de 2006
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Um rato foi flagrado ontem pela Folha em um almoxarifado de alimentos e produtos de higiene da prefeitura. Os alimentos são destinados a entidades sociais de Londrina. O barracão, localizado no Jardim Tarobá (Zona Sul), é mal ventilado e possui piso bruto de concreto, condições inadequadas para o armazenamento de comida. O problema já entrou na mira do Ministério Público (MP), mas, por enquanto, não recebeu nenhuma solução do Município.
A reportagem da Folha esteve no local ontem e flagrou, além da ratazana viva, um filhote morto e ninhos do roedor, próximos às pilhas de alimentos. O rastro de destruição deixado nos produtos aponta, entretanto, que essa é apenas uma pequena amostra dos ratos que vivem no depósito. ''Já chegamos a matar seis, sete ratos num dia só. Eles dão bastante prejuízo, comendo principalmente alimentos em pó'', admitiu o gerente do depósito, Jurandir de Souza Silva.
Vários sacos de fubá e farinha de trigo estavam roídos ontem de manhã, fruto da ação dos ratos durante a noite anterior. Itens como biscoitos e açúcar também ficam estocados no local. Segundo Silva, quilos de alimento são perdidos diariamente. Outro produto sobre o qual os roedores circulam e deixam sua marca é nos rolos de papel higiênico, também destinados a entidades sociais. Há ainda dezenas de vassouras de piaçava, que servem de ''matéria-prima'' para ninhos de rato.
Iluminação escassa, pouca ventilação, piso de concreto e a presença de uma fossa séptica propiciam aos ratos um viveiro ideal. Para acentuar a insalubridade, ao lado do depósito há um ferro-velho repleto de entulhos. O gerente observou que o barracão passou por dedetização e desratização há duas semanas, sem sucesso. ''Também estamos enfrentando rachaduras por toda parte. Acho que o único jeito será transferir a atividade para outro lugar'', afirmou, acrescentando que o depósito tem pelo menos quatro anos.
O diretor de saúde ambiental da Secretaria Municipal de Sa© úde, Maurício Barros, disse que não tinha conhecimento da permanência de ratos no depósito da prefeitura.
Segundo ele, há alguns meses a Promotoria de Infância e Juventude pediu que a Vigilância Sanitária verificasse as condições do almoxarifado. Barros ficou surpreso ao saber da existência de ratos no local, pois acreditava que a prefeitura havia cumprido o controle de pragas exigido pela área da sa© úde. ''Essa era a exigência mais urgente que fizemos e foi atendida. Nossos fiscais estiveram no local no dia 8 de junho e verificaram que estava livre de ratos'', assegurara, antes da visita da reportagem ao depósito.
Outras exigências feitas pela Vigilância Sanitária e elencadas por Barros não foram cumpridas: a colocação de piso em cor clara; a retirada de materiais estocados em contato com o chão; o conserto de rachaduras e o uso de sabonete líquido no banheiro. ''A legislação permite que qualquer empresa tenha prazos para se adequar. No caso do depósito, além das adequações imediatas, os responsáveis se comprometeram a desativá-lo até o dia 31 de dezembro'', salientou.
O secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, responsável pelo almoxarifado, alegou que a prefeitura está tendo dificuldade em encontrar um novo imóvel. Ele disse que optou por não fazer as adequações determinadas pela Vigilância ''porque seria imoral aplicar recursos no atual imóvel'', que é alugado e pode ser deixado em breve.
'Se vier a greve (dos servidores municipais), a mudança será dificultada. Senão, pretendemos fazê-la o mais rápido possível'', afirmou. Dias não ficou surpreso em saber da presença de ratos no depósito, apenas admitiu que ''precisamos ficar permanentemente fazendo a dedetização e a desratização''. A reportagem tentou falar com a promotora de Infância e Juventude de Londrina, Édina de Paula, mas não a localizou no MP ou pelo telefone celular.


