Baixa idade e maturidade da mãe, fissuras no peito e a chamada cultura da mamadeira. Fatores que contribuem para os baixos índices de amamentação agora são alvo de um programa de prevenção implantado pela Maternidade Municipal de Londrina em parceria com a Diretoria de Ações de Saúde (DAS). Levantamento do Comitê de Aleitamento Materno (Calma) aponta que apenas 29,3% dos bebês recém-nascidos são alimentados exclusivamente com o leite materno nos primeiros quatro meses de vida. Como o desmame é praticamente irreversível, a rapidez na prevenção é fundamental.
O que o programa faz é agilizar a troca de informações entre a maternidade e as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que são comunicadas das mães com alto potencial de desmame imediatamente após a alta. Com a informação, a UBS agenda os agentes do programa Saúde da Família para orientar e incentivar a amamentação. ''O que ocorria anteriormente era que as informações chegavam tardiamente, às vezes depois de uma semana, e nesse meio tempo as mães já tinham ofertado outros alimentos à criança'', explica a presidente do Calma, Lílian Poli.
Para dar rapidez à comunicação, a maternidade desenvolveu um programa de informática específico para a busca ativa e comunicação posterior. ''Isso foi possível depois da informatização do hospital. No futuro acreditamos que o programa possa contribuir também para a redução da mortalidade infantil'', afirma o diretor do hospital, Rodrigo Rosseto Avanso.
Os potenciais de risco são detectados na maternidade. Idade da mãe, dificuldade na amamentação no pós-parto, fissuras, infecções e a anatomia do seio são alguns dos fatores que predispõem o problema e são facilmente observados pelas enfermeiras. A verificação também é realizada oito dias após o parto, quando as mulheres procuram o ambulatório para a retirada de pontos.
''Na nossa pesquisa descobrimos que a maioria das mulheres, mais de 95%, têm a intenção de amamentar, mas muitas vezes elas não têm apoio. Com a intervenção dos agentes isso pode mudar'', afirma Lílian. Ela pontua, ainda, que o ato de amamentar requer uma certa dose de esforço e boa vontade. ''Aleitamento materno não é só ter vontade, é preciso trabalho e auxílio da família'', diz.
Trabalho e muita paciência. Essa é a receita da dona de casa Ana Tereza Ferreira, 29 anos e grávida do quarto filho. O caçula dela mamou até os dois anos. O mesmo não se pode dizer do primeiro filho, que só foi amamentado até os 3 meses. Ela deixou de amamentar porque o filho começou a perder peso. ''Eu não tinha muita experiência e acho que faltou também alguém que me auxiliasse, não foi fácil'', comenta.
Mãe de primeira viagem, Fabiana Aparecida Herculano, 19 anos, teve que aprender rápido as lições. ''No começo tive um pouco de dificuldade até aprender que tinha que colocar o bebê certinho para sugar, mas agora ele está indo bem e espero amamentar até pelo menos 1 ano'', afirma.

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