Maigue Gueths
De Curitiba
A morte da garota Elisa Martins, de 10 anos, atropelada durante um racha entre dois veículos na principal rua de Colombro, Região Metropolitana de Curitiba, causou muita comoção ontem entre os moradores da região. O acidente aconteceu por volta das 18h30 de terça-feira, quando Elisa e sua irmã, Everli Martins, 14 anos, voltavam da panificadora andando pela calçada da Rodovia da Uva, e foram atropeladas por Marcelo Nunes Monteiro, 21 anos, motorista do carro Corsa placas AIS 7076. Filho dos proprietários do Cartório Distribuidor do Fórum de Colombo, João e Eliete Nunes Monteiro, só na metade da manhã de ontem o motorista do Corsa foi comunicado da morte de uma das meninas. O outro carro envolvido no racha fugiu depois do atropelamento.
Elisa foi atirada há quatro metros do local e morreu na hora. A irmã Everli foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cajuru, em Curitiba, com traumatismos múltiplos, mas ontem já apresentava melhoras, com perspectivas de ser transferida para um quarto do hospital. O motorista do Corsa também foi encaminhado ao hospital com escoriações no rosto para sutura dos cortes.
A Delegacia de Colombo conseguiu identificar o outro veículo envolvido no acidente. Trata-se de um Monza, de cores verde e azul. O motorista deste carro será ouvido hoje, às 10 horas, pelo delegado do município Irineu Portes. Ontem, o policial adiantou apenas que o motorista é maior de idade e habilitado.
Três testemunhas ouvidas pela polícia afirmaram que os dois carros estavam em alta velocidade na rodovia, competindo em um racha, quando o Corsa se desgovernou, atravessou a pista, atropelou as duas garotas na calçada, só vindo a parar quando bateu em uma árvore.
A polícia aguardava, ontem, alta médica de Marcelo Monteiro, para que ele preste depoimento sobre o acidente, esclarecendo detalhes sobre o outro carro envolvido. Os dois motoristas serão enquadrados por homicídio doloso, que prevê pena de até 25 anos de prisão.
Segundo uma das testemunhas, Beatriz Mánica, moradora do quilômetro 7,5 da Rodovia da Uva, onde ocorreu o acidente, é comum acontecer rachas naquela região. O Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) não possui dados que apontem apenas os casos de mortes e atropelamentos causados por rachas. Em 99, o órgão registrou um total de 1.558 atropelamentos em Curitiba, o que resulta numa média de 130 casos por mês.