Rapazes fizeram outras 6 bombas antes da explosão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Ivan Santos 
Da Sucursal
Outras seis bombas caseiras semelhantes a que matou o ajudante de pedreiro Osvaldo Rabikiwiskz, de 22 anos, foram fabricadas por ele e dois amigos antes do acidente na noite de segunda-feira. Foi o que revelaram à polícia ontem, Valdir Ribeiro e Ronaldo Lourenço, que estavam com Osvaldo naquela noite.
Segundo Valdir e Ronaldo, as bombas foram fabricadas com pólvora retirada de sete rojões que sobraram das festas de final de ano, e serviriam apenas para diversão. Eles disseram que aprenderam a fazer isso na televisão, disse o delegado Vinícius de Carvalho, que investiga o caso.
As primeiras seis bombas foram explodidas num terreno baldio próximo ao local onde eles moram, no bairro Rio Verde, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Valdir e Ronaldo disseram que Osvaldo carregava no bolso a última bomba, que seria explodida no Parque Bacacheri naquela noite. Ao cair da bicicleta sobre a bomba ele acabou detonando o material.
Até ontem, a polícia não tinha conseguido localizar as roupas de Osvaldo, que poderiam dar mais pistas sobre o tipo de explosivo. O Instituto de Criminalística fez apenas o exame do local do incidente, onde só foram encontradas manchas de sangue e resíduos de pólvora queimada. Um ofício do delegado enviado ao Hospital Cajuru, que atendeu a vítima, tentaria localizar as roupas. Funcionários do hospital disseram que não há registro da passagem de Osvaldo pelo pronto socorro, e que as roupas dele provavelmente foram para o lixo.
CiúmeO comerciante Landislau Charry, 40 anos, confessou ontem ter fabricado e enviado a bomba que feriu na terça-feira, o assessor jurídico da Prefeitura de Jaguariaíva, Lincoln Ferreira de Barros.
Charry, que passou os últimos três meses tentando fabricar o artefato, decidiu confessar depois que um funcionário dos Correios de Ponta Grossa, onde ele postou a correspondência, fez um retrato falado e se dispôs a reconhecê-lo. Segundo a polícia, a bomba seria uma vingança contra o assessor, que teria mantido um romance com a mulher do comerciante, Olivia Charry. O delegado Durval Ataíde pediu a prisão preventiva do comerciante, que deve ser decretada ainda hoje.


