Gilcimar Bianchi, 21 anos de idade, sequestrou um ônibus com estudantes em Iguatu (76 km ao norte de Cascavel) na noite de anteontem, baleou a ex-namorada Ivete Lopes dos Santos, 17 anos, e tentou se suicidar. O rapaz foi socorrido por patrulheiros da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), que perseguiam o ônibus, e foi levado para um hospital em Campo Mourão. Até ontem à tarde seu estado era grave. A situação de Ivete, internada no Hospital Santa Catarina, em Cascavel, também é crítica.
O ônibus da prefeitura de Iguatu transportava 25 alunos da zona rural e parou em um ponto às 22h15, deixando cinco estudantes, quando foi tomado de assalto por Gilcimar Bianchi, armado com um revólver calibre 22. Ele dominou o motorista Sidney Paulo Rodrigues e disse que o coletivo passaria a seguir percurso sob suas ordens. Houve pânico entre os alunos. Alguns tentaram se jogar pelas janelas. Depois, Gilcimar aceitou liberar o grupo, menos sua ex-namorada e o motorista, ordenando que seguisse para Ubiratã (96 km ao sul de Campo Mourão).
Os estudantes avisaram o destacamento da Polícia Militar de Iguatu, mas não souberam precisar a rota seguida pelo carro (BR-369). Por isso, a PRE foi acionada e preparou-se para intervir a partir de seu posto nas proximidades de Ubiratã.
Segundo o capitão José Carlos Augusto Pinto, comandante da 3ª Companhia da PRE, os patrulheiros passaram a acompanhar o ônibus ‘‘à distância prudente’’. Fizeram uma barreira dois quilômetros à frente e conseguiram parar o coletivo. Depois de negociação, o motorista foi liberado.
Logo a seguir, chegou o prefeito de Iguatu, Vladimir Barella (PDT). Ele havia sido comunicado do sequestro por familiares dos estudantes. Gilmar disse aos patrulheiros que havia sequestrado o ônibus porque a ex-namorada estava nele e não se conformava com o rompimento. Gilcimar permanecia deitado no colo da moça, apontando o revólver em sua direção. ‘‘Por isso, não houve tentativa de invasão ao carro’’, relata o capitão José Carlos.
Ao ouvirem dois disparos do revólver, os patrulheiros invadiram o ônibus imediatamente. Ivete havia recebido um tiro na cabeça, mas ainda estava lúcida, e Gilcimar agonizava, com uma perfuração na cabeça. Ao lado do revólver havia mais 23 cartuchos para a arma. Os dois foram levados para um hospital de Ubiratã e logo depois transferidos. O rapaz para a Interclínicas de Campo Mourão e a moça para o Hospital Santa Catarina.

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