Rapaz se apresenta à polícia e confessa que matou menino
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sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Lucilia Okamura 
Erlon Henrique Bertoletti, 18 anos, se apresentou à Polícia Civil de Londrina anteontem, no final da tarde. Ele confessou o assassinato de Paulo Henrique Gomes, 14 anos, ocorrido no dia 30 de novembro, nas proximidades do mocó (imóvel abandonado que serve de abrigo a usuários de drogas) da Avenida Duque de Caxias (área central). O garoto foi morto com mais de 20 facadas. Ele era viciado em drogas.
Erlon Henrique se apresentou ao delegado do 1º Distrito Policial, Edmo Ermenegildo, acompanhado do pai, Altino Bertoletti, e do irmão gêmeo, Marlon Alberto. Eles são conhecidos como Irmãos Testinha.
De acordo com o depoimento, Erlon Henrique foi sozinho até o mocó por volta da meia-noite de 30 de novembro. Ele e outros colegas (quatro meninas e 10 meninos de rua) passaram a cheirar cola no local. Erlon Henrique disse ao delegado que encontrou uma garota chamada Keila, que seria a sua namorada.
A vítima, segundo Erlon Henrique, teria ficado enciumada porque ele e Keila estavam juntos. Paulo Henrique teria dado uma paulada na testa de Erlon Henrique. Foi quando o acusado pegou uma faca que já estaria escondido no mocó e golpeou a vítima várias vezes, principalmente no peito.
Depois do crime, Erlon Henrique fugiu para a casa do pai, na Vila Fraternidade (zona leste) e acordou o irmão gêmeo. Ele teria contado o que aconteceu e disse para Marlon Alberto fugir também para não ser preso em seu lugar, já que são gêmeos idênticos. Eles teriam ido a Maringá, onde ficaram até anteontem.
Ontem, Marlon Alberto também prestou depoimento ao delegado e confirmou a história. Segundo depoimento dado pelo pai dos gêmeos, poucos dias após o crime, Erlon Henrique e Marlon Alberto estavam morando juntos há cerca de um mês. Antes, eles estavam internados em Curitiba.
O delegado Edmo informou que, por enquanto, Marlon Alberto irá responder ao inquérito em liberdade. Ele disse que tentará interrogar outras testemunhas e procurará saber do paradeiro de Keila. Para concluir o inquérito, ele aguarda ainda o laudo de necrópsia do Instituto Médico Legal (IML) e o laudo do levantamento do local do crime, que está sendo preparado pelo Instituto de Criminalística.
A morte de Paulo Henrique reacendeu em Londrina a polêmica dos mocós. Segundo levantamento realizado pelo 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), são 39 mocós na cidade. O secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, informou ontem que os 39 proprietários das edificações foram notificados. Ele têm 30 dias para fechar e limpar os imóveis ou então apresentar sua defesa. Vencido este prazo, segundo o secretário, os proprietários serão autuados e eles terão de pagar multa.
Sobre uma lei municipal de 1994 que dá poderes ao município para demolir imóveis abandonados, Righi de Oliveira informou que enviou cópia da lei à Procuradoria Jurídica do Município. Pedi que analisassem a lei para verificar a sua constitucionalidade, observa. Ele adianta que a lei não foi regulamentada.


