Os médicos que atendem o servente de pedreiro Ademir José Tavares, 25 anos, que teve 90% do corpo queimado no domingo, em Marechal Cândido Rondon (90 quilômetros a oeste de Cascavel), acreditam que será ‘‘muito difícil’’ recuperar a pele do rapaz através de enxertos. A equipe médica faz hoje uma avaliação das queimaduras - a maioria de terceiro grau. O rapaz está internado no Hospital Evangélico, em Curitiba, e terá os curativos trocados hoje.
Segundo os médicos, se apenas 30% ou 40% do corpo tivesse queimaduras de terceiro grau, bastariam uma ou duas cirurgias com enxertos de pele para recobrir a parte queimada.
No caso de Tavares, as únicas regiões não atingidas foram cabeça e pontas dos pés. A pele para o enxerto sairia do couro cabeludo - o que não seria suficiente. Para recuperar cerca de 70% da área queimada, seriam necessárias sete ou oito cirurgias - com intervalos de 15 dias entre elas.
Como a área queimada do corpo de Tavares é muito grande, seus órgãos internos podem ficar comprometidos. Segundo a equipe médica que está cuidando do caso, substâncias tóxicas produzidas pela carne queimada são absorvidas pelo sistema circulatório e prejudicam as funções vitais, provocando principalmente insuficiência renal - e por isso Tavares, que está consciente, corre risco de vida.
Investigação - O delegado da Polícia Civil de Marechal Cândido Rondon, Antonio Brandão Neto, esteve terça-feira em Curitiba para conversar com o paciente.
Tavares contou que estava saindo da Oktoberfest, em direção ao hotel em que estava hospedado, quando foi abordado por dois rapazes. Tavares mora em Missal (113 quilômetros a oeste de Cascavel).
Os rapazes teriam pedido que Tavares comprasse gasolina para abastecer a moto em que estavam. Tavares teria comprado dois galões pequenos.
Segundo ele, um teria sido colocado na moto. Depois disso, um dos rapazes teria ameçado Tavares com um revólver caso ele não jogasse o outro galão de gasolina em seu corpo. Tavares obedeceu e saiu correndo. Um deles teria acendido um fósforo e provocado as queimaduras.
Brandão Neto continua a investigação, mas ainda não tem suspeitos. Tavares não conseguiu descrever os rapazes para o retrato falado. O delegado deve voltar a Curitiba, mas ainda não tem previsão de data. Segundo ele, dependerá do quadro clínico do paciente.

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