Paulo Ubiratan
O juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Arquelau Ribas, condenou a 6 anos e dez meses de reclusão por tráfico de drogas e porte ilegal de armas o comerciante Marcelo Pereira, 29 anos. Ele vai cumprir a pena na Penitenciária Estadual de Londriona (PEL). Em 1994, Marcelo Pereira foi notícia nacional e internacional ao incitar o extermínio de menores infratores na região conhecida por Cinco Conjuntos, na zona norte da cidade.
Marcelo foi preso por tráfico de drogas em janeiro deste ano com porções de cocaína, maconha e dois revólveres calibres 22. Segundo as denúncias constantes no processo, o acusado vendia a droga em seu estabelecimento, o Márcio’s Bar, na Rua Capitão do Mato, 301, no Conjunto Violin (zona norte). A prisão foi foi feita pelo delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Valdir Abrahão.
O delegado contou que mandou uma pessoa comprar cocaína e com sua equipe ficou de espreita até a hora de prender Marcelo. Abrahão disse que há muito tempo vinha investigando o acusado, por causa de diversas denúncias contra ele pelo telefone 161 (Disque-Denúncias). A prisão do comerciante por tráfico de drogas surpreendeu muita gente. ‘‘Ele era muito pretencioso, cheio de razão e possuia o radicalismo nazista. Mas traficante era a última coisa que eu poderia imaginar’’, afirmou o comerciante João Carlos Soares, que conheceu o acusado.
Marcelo já tinha sido condenado pela Justiça quando publicou, em março de 1994, um anúncio no jornal de classificados ‘‘Hot List’’ - que era de sua propriedade - pregando o extermínio de menores infratores.
A justificativa dada por Marcelo para mandar matar os menores era o fato de sua bicicleta ter sido roubada por um deles. O comerciante afirmava que os menores não tinha recuperação e publicou: ‘‘Colabore para a melhoria do Cincão (apelido dos Cinco Conjuntos). Mate um menor infrator, Apoio: Comerciantes vitimados’’. Marcelo justificou que teve uma faca encostada no tórax durante o assalto. ‘‘Eu me desesperei diante do terror que passei e sofri. O que eu publiquei representa também um grito de toda a comunidade dos Cinco Conjuntos, que constantemente é vítima destes mesmos menores’’, justifiou na polícia ao ser preso.
Na época ele enfatizou que havia vendido um revólver calibre 22, mas já estava comprando outro para agir contra os menores. Marcelo justificava que com sua ação de justiceiro o bairro iria se acalmar. O Hot List tinha uma tiragem de 2,8 mil exemplares e não é mais publicado.
Por causa desta publicação ele foi condenado a três anos de prisão pela juíza Lídia Maejima, da 2ª Vara Criminal. A pena depois foi transformada em serviço à comunidade e o comerciante foi trabalhar no Lar Anália Franco, onde passava oito horas semanais com menores carentes.

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