Curitiba

Kraw PenasDorNo velório, a mãe de Lucas, Zenaide de Jesus Padilha, ficou todo o tempo acariciando a cabeça do filhoO estudante Guilherme José Pedroso de Moraes, responsável pelo atropelamento do bebê Lucas de Jesus Medeiros, de 10 meses, deve comparecer hoje à 1ª Delegacia de Acidentes de Trânsito para prestar depoimento. Lucas foi atropelado no dia 25, quando estava sendo empurrado por sua mãe num carrinho de bebê e atravessava a Avenida Manoel Ribas, próximo ao Portal de Santa Felicidade. O menino, que teve traumatismo crânio-encefálico e contusão pulmonar, passou dois dias em coma profundo e morreu anteontem pela manhã, depois de uma parada cardíaca.
Segundo testemunhas, no momento da colisão o carro dirigido pelo estudante, um Mitsubishi Eclipse vermelho, deveria estar a uma velocidade próxima a 100 km/h. Quando o menino foi atingido, ele e sua mãe cruzavam a faixa de pedestres. Desde o dia do acidente, Guilherme e seu pai, o empresário José Maria Pedroso de Moraes, dono da rede de lojas Móveis Pedroso, não deram entrevistas para explicar a ocorrência. Eles apenas publicaram uma nota nos principais jornais afirmando que socorreram a vítima e que não deixaram o local antes da chegada de uma viatura da Guarda Municipal.
A nota revoltou a família de Lucas, que afirma não ter recebido qualquer tipo de ajuda do motorista no momento do acidente. Um dia depois do atropelamento, o pai do bebê, Eveli Medeiros, afirmou que o estudante Guilherme deixou o local logo após a colisão sem prestar socorro. ‘‘Eles deram a volta, foram embora e agora estão mentindo descaradamente’’, acusa o pai. A tia de Lucas, Leciane Medeiros, afirma que sua família não deseja conseguir qualquer tipo de indenização pela morte do menino. ‘‘Queremos apenas uma explicação; o resto fica por conta da Justiça’’, disse.
Ontem à tarde, durante o enterro do bebê, a família pedia providências para que o caso não seja encerrado sem que a culpa pela morte do menino seja esclarecida. Durante todo o velório, a mãe de Lucas, Zenaide de Jesus Padilha, permaneceu ao lado do caixão acariciando a cabeça do filho. ‘‘Alguma coisa tem de ser feita para evitar que o mesmo aconteça com outras crianças’’, disse o pai do menino.
Até agora, três testemunhas já prestaram depoimento. Outras três pessoas que presenciaram o atropelamento deverão ser ouvidas hoje. O exame de dosagem alcoólica do estudante Guilherme Pedroso, pedida por seu advogado no dia do acidente, deverá ficar pronto apenas no início da próxima semana.

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