O auto-retrato no quarto. O jantar de Natal. O abraço dos amigos. O beijo na boca de um casal de namorados. Sorrisos marotos, gravatas frouxas, expressões etílicas às 3 horas. Instantes captados pela lente de uma câmera fotográfica são preciosos, especialmente na juventude: registros de um tempo que passa rápido e não volta.
Quase uma centena de registros dessa natureza poderiam estar perdidos para sempre, não fosse a honestidade do encarregado de fábrica Marcelo Alves, 31 anos. Ele encontrou uma câmera digital jogada no meio-fio da Avenida Maringá, na Zona Oeste de Londrina, no dia 23 de janeiro deste ano. A máquina ficou guardada, intacta, durante meses, até que uma história mostrada recentemente num programa de TV lhe deu a idéia: procurar a Folha para tentar localizar o proprietário da máquina.
''Era um domingo, 6h30 da manhã. Eu estava indo buscar pão quando achei a máquina no meio-fio. Acredito que deixaram cair de dentro de um automóvel. Peguei na esperança de, um dia, achar o dono. Não tenho nenhum interesse financeiro'', declarou Alves, que nunca teve uma câmera fotográfica digital. Ao ligar o aparelho, o rapaz descobriu 93 poses gravadas na memória, captadas entre 4 de novembro de 2004 e a madrugada que antecedeu o achado.
A maioria das imagens mostra gente jovem, aparentando ser de classe média e ter entre 20 e 30 anos. Alves acredita que um rapaz moreno de barba seja o dono da câmera: ele aparece em várias fotos, algumas delas prováveis auto-retratos tirados num quarto. Há também um jantar residencial às vésperas do Natal e uma possível festa de formatura em janeiro.
''Acho que o proprietário ficaria muito feliz de recuperar todas essas fotos. Vou manter a câmera guardada. Uma coisa que não me pertence não me interessa'', concluiu.

SERVIÇO - A câmera digital é da marca Minolta, um modelo japonês fabricado na Coréia. Quem tiver informações sobre a origem do aparelho pode entrar em contato com Alves pelos telefones (43) 3027-7808 e (43) 9914-9369.

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