Rapaz perseguido por PM é libertado
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sexta-feira, 29 de janeiro de 1999
Lucilia Okamura e Áureo Nogueira 
Erick Leandro da Silva, 18 anos, foi solto ontem, depois de permanecer quatro dias detido no 2º Distrito Policial sob a acusação de direção perigosa e tentativa de homicídio. A soltura foi determinada pelo juiz da 5ª Vara Criminal, José Roberto Pinto Júnior, que expediu mandado em pedido de liberdade provisória impetrado pelo advogado Tadeu Arilson Stulzer. Ao sair, Erick chorou ao abraçar o pai, o vendedor autônomo João Batista da Silva, a irmã e uma tia.
Ele está muito abalado emocionalmente e não tem condições de dar entrevistas. Vamos deixá-lo descansar. Quando ele estiver mais tranquilo, vamos convocar a imprensa, pediu o advogado aos jornalistas que acompanhavam a libertação do rapaz.
Dorico da SilvaJoão Batista da Silva: revoltaErick foi preso pela Polícia Militar na tarde de segunda-feira, na esquina da Rua Amazonas com a Avenida Leste-Oeste, nas proximidades do Estádio Vitorino Gonçalves Dias (centro). Ele foi autuado em flagrante pelo delegado do 2º DP, Antônio Zuba de Oliva, por direção perigosa e tentativa de homicídio.
Na versão da PM, o Santana Quantum dirigido por Erick teria sido abordado por policiais de trânsito. Em vez de parar, teria jogado o carro contra os policiais. Erick e seus acompanhantes - Anailton Fernandes Lopes, Ronaldo de Abreu e José Moreira Júnior, que também trabalham para o pai de Erick - dizem que a primeira abordagem foi feita por um homem à paisana, que teria se aproximado com uma arma na mão. Com medo, teriam fugido, sendo detidos em seguida por outras viaturas da PM caracterizadas.
Mesmo depois da libertação do filho, João Batista da Silva estava indignado e revoltado com o que entende ser um erro inaceitável da PM. Quero saber quem será responsabilizado por esta injustiça. Além de tantos transtornos e despesas, meu filho está abalado emocionalmente e provavelmente necessite de tratamento, disse. E se a Polícia não reconhecer o erro e limpar o nome do meu filho., acrescentou João Batista, sem confirmar se vai ou não processar o Estado ou a PM. O momento ainda é de tensão. Vamos aguardar um pouco mais. Talvez até a conclusão da sindicância a ser aberta pela PM, emendou o advogado da família.
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Tadeu Arilson destaca que, durante a prisão de Erick, não foi observado o direito de avisar a família e contatar um advogado. Se a Polícia, Civil ou Militar, tivesse assegurado esse direito constitucional, provavelmente ele não estaria detido, diz.
Revoltado com a prisão do filho, João Batista afirma que Erick é honesto e nunca se envolveu em confusão com a Polícia. Ele não fuma, não bebe e se preocupa muito em me ajudar, ressalta. Segundo o pai, Erick ajuda nas vendas desde os 11 anos.
João Batista conta que ficou sabendo da prisão do filho através do rádio. Ao ouvir a notícia, ele foi até o 2º DP, onde ouviu o policial Gomes dizer que perseguiu o Santana porque viu um cabeludo e um negro, que pareciam suspeitos.


