Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
André Luiz Barletta Jurizato, de 20 anos, procurou a Justiça de Foz do Iguaçu para exigir o direito de viver ao lado de um dos pais – Brasilino e Maria Luíza, que são separados. Ele alega que necessita ter alguém por perto, porque sofre de ataques epiléticos desde os seis meses de idade.
André afirma ainda que foi abandonado pela família, com quem vivia em Foz do Iguaçu, depois que o pai foi transferido a trabalho para São Paulo e a irmã, Cíntia Maria, se casou.
O rapaz procurou a Folha em Foz para solicitar a publicação de uma reportagem, com o objetivo de sensibilizar os pais e a Justiça que, segundo ele, ainda não fizeram nada para solucionar o problema. Na visita à Redação, André apresentou receitas de comprimidos e calmantes que toma diariamente para atenuar as crises convulsivas.
O promotor Luiz Francisco Marchioratto, que cuida do caso, disse que a história de André é complexa. Segundo o promotor, juridicamente não se pode exigir que os pais o levem para morar com eles, como deseja André, porque a responsabilidade dos pais vai até os 18 anos do filho.
‘‘Talvez a única solução seja exigir que os pais paguem uma pensão mensal ao rapaz e depois procurar alguém que se responsabilize a cuidar dele’’, afirmou. Marchioratto informou ainda que já fez contato com a mãe, Maria Luiza, que mora em Sorocaba (interior de São Paulo), e com o pai, Brasilino, que atualmente vive na capital paulista.
Conforme o promotor, no início, a mãe até demonstrou certo interesse e, logo depois, disse ter receio de ficar com o rapaz pela agressividade que ele demonstraria em certas situações. O pai alegou que não tem condições de manter André ao seu lado porque vive em alojamentos mantidos pela empresa em que trabalha.
Para acompanhar o caso, o promotor designou uma psicóloga da Justiça, que atende André em sessões esporádicas. Procurada pela reportagem, a psicóloga se negou a prestar qualquer esclarecimento sobre o caso, alegando ética profissional.
A Folha também tentou falar, por telefone, com a mãe de André, conforme o número fornecido por ele. Por várias vezes, ouviu-se uma mensagem que a ligação seria atendida em outro telefone, caindo a linha em seguida.

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