ReproduçãoFinal infelizOsmar Filismino da Silva e Roseane Cristina da Silva, em foto familiar: brigas e tiros para o arO churrasqueiro Osmar Filismino da Silva, 23 anos, matou a esposa Roseane Cristina da Silva, 19 anos, com um tiro na cabeça e depois se matou em frente aos filhos de oito meses e dois anos. O homicídio seguido de suicídio teria ocorrido por volta das 21h30 de segunda-feira. No entanto, somente às 10h30 de ontem a tragédia foi descoberta pelo patrão de Osmar, Antonio Fernando Cândido, que foi até a residência do casal, na rua Macau, 54, vila Casoni (área central). Ele estranhou a demora do empregado, que nunca chegava atrasado ao serviço, e foi até a casa dele. Cândido chegou a telefonar várias vezes antes para o empregado, mas o telefone sempre dava sinal de ocupado.
‘‘Foi o pior quadro que vi em minha vida. O filho menor chorava sentado em um carrinho de bebê entre os corpos do pai e da mãe, mortos na sala. No quarto ao lado da sala estava o menino maior, dormindo em um colchão no chão’’, contou, nervoso, Cândido.
O patrão de Osmar disse que ele estava com a cabeça recostada sobre um sofá com uma pequena pistola caída do seu lado esquerdo. Cândido garantiu que o empregado era canhoto. Roseane estava sentada, encostada em uma armário com o telefone entre as mãos.
O fio do aparelho estava arrancado da parede. Cândido afirmou que, diante da cena, teve apenas o impulso de pegar no colo as duas crianças e sair da sala. Emocionado, ele revelou que teve vontade de chorar ao ouvir o menino maior, ainda se acordando, repetir-lhe diversas vezes: ‘‘Papai pam em mamãe! Papai pam em mamãe!’’. Com as mãos, a criança apontava um dedo tentando imitar o cano de um revólver.
O delegado do 1º Distrito Policial, Edmo Ermenegildo, atendeu a ocorrência e disse que a arma usada para o crime foi uma pistola calibre 6.35. Em levantamentos preliminares o delegado apurou que o primeiro tiro acertou a cabeça de Roseane, no lado da orelha direita. Osmar teria se matado com um tiro disparado por baixo do queixo - a bala atingiu o cérebro.
A vizinha Madalena Socorro Pires, que alugava a casa para o casal desde dezembro, contou que, no início da noite de segunda-feira, ouviu por mais de meia hora o casal brigar. Já por volta das 21h30, ouviu dois estampidos e o choro das crianças. Não parecia nada de incomum. ‘‘Não me preocupei na hora, pois eles (o casal) discutiam muito e às vezes o Osmar brincava de dar tiros para o ar’’, revelou Madalena.
Ela disse que após os tiros as crianças continuaram a chorar, o que era normal acontecer todas as noites. A vizinha acompanhou Cândido quando ele entrou na casa, mas não chegou até a sala:
- Ele voltou com as crianças no colo e disse que tinha acontecido uma tragédia.

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