Rapaz enfrenta preconceito por ser negro
Rapaz enfrenta
preconceito
por ser negro
Basta prestar atenção para perceber que algumas pessoas escondem as bolsas e olham desconfiadas quando vêem um negro, conta o diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Gilmar Quintilhiano, 23 anos, que é negro. Para ele, a sociedade curitibana ainda vê de maneira discriminatória a sua raça.
Quintilhiano entende que a segregação acontece em todos os lugares da cidade, mas em maior escala nos bairros ricos. Quando se entra numa loja, as atendentes não tratam bem você e normalmente acabam oferecendo produtos mais baratos, acreditando que você não vai ter dinheiro para pagar, afirma o estudante de Contabilidade, Rafael Medeiros.
O jovem já vivenciou situação desse tipo. A visão de que a minha cor é negativa e significa problemas é forte na sociedade, afirma. O rapaz, que é de classe média, conta que já foi parado pela polícia quando estava dirigindo o carro da família. Eles acreditavam que o carro era roubado. Depois de explicar que o carro era meu, eles ainda vieram me perguntar se eu era pagodeiro ou jogador de futebol, reclama, sobre essa noção distorcida.
Para o sindicalista, a visão torta da sociedade é reforçada pelas instituições públicas. Para ele, os policiais, mesmo aqueles negros, olham com desconfiança primeiro para a pessoa negra. O negro tem pouca visibilidade na sociedade, ainda mais em cargos públicos, afirma. Gilmar Quintilhiano ilustra, afirmando que são raros os casos de políticos negros no País. No Paraná, não conheço nenhum.
Na opinião de Quintilhiano, uma das maneiras de mudar essa visão é pela educação. Para ele, os jovens e adultos esquecem o papel do negro na sociedade. Ainda vai ser necessário muita luta para que o negro seja respeitado, ainda mais numa cidade que valoriza a colonização européia, diz. (I.R.)





