Curitiba - O operador de máquinas Peterson Faustino Nascimento, 23 anos, foi resgatado por pescadores depois de ficar boiando por cerca de 14 horas em alto mar. Nascimento foi para a Praia Mansa, em Caiobá, por volta das 17 horas de terça-feira e só foi encontrado por volta das 7h30 de ontem, próximo a Guaratuba. Ele teve um quadro de hipotermia que foi revertido ainda pela manhã, no Hospital dos Navegantes, onde foi atendido e recebeu soro. O tenente Leonardo Mendes dos Santos, chefe do Setor de Comunicação Social do Corpo de Bombeiros (CB), disse que não houve nenhum aviso de afogamento ou acidente com caiaque. A própria empresa que alugou o caiaque onde estava Peterson informou, segundo seus amigos, que o equipamento havia sido devolvido e que ninguém teria ficado em alto mar.
A empresa deverá ser acionada em inquérito policial por omissão de socorro (caso tivesse ciência de que uma pessoa ainda estava no mar) ou por negligência (se não tivesse noção da quantidade de caiaques que tinha, nem organização). Nenhum guarda-vida percebeu o que havia ocorrido na praia e o operador só foi encontrado porque viu uma embarcação de pescadores e gritou por socorro. Peterson foi encontrado 20 quilômetros do local de embarque e seis quilômetros da orla.
Já tranquilo, Nascimento deu entrevista à FOLHA, ainda em Matinhos, no litoral paranaense. Disse que ele e os amigos alugaram caiaques e foram para o mar. Lá, o equipamento virou. ''Eu já não conseguia ver meus amigos quando isso aconteceu. Tentei segurar o caiaque de novo, mas não consegui e acabei abandonando'', relatou. ''Estava com o colete salva-vidas e o mar me carregou por um longo percurso: da Praia Mansa de Caiobá até quase Guaratuba.''
Nascimento disse que estava tranquilo e ficou boiando na esperança que alguém viesse resgatá-lo. Durante à noite, ele disse que chegou a dar algumas cochiladas. ''Mas tinha muita onda e eu engolia água quando dormia'', disse. ''Eu tremia dentro da água, estava com muito frio. Principalmente de madrugada porque ventava. Daí para não perder a consciência eu começava a nadar. A sorte é que estava com o colete.''
Pela manhã, ele viu um barco. ''Os pescadores estavam lançando uma rede no mar e consegui gritar. Eles me puxaram e eu desmaiei no barco. Lembro de já estar sentado na areia e dos pescadores dizerem que iriam chamar os bombeiros e que eu não podia sair dali'', contou. De lá, ele foi levado para o hospital. ''Eu nasci de novo'', afirmou.

mockup