Marcelo Matos Coutinho, 27 anos, foi condenado anteontem a sete anos de reclusão em regime semi-aberto pelo atropelamento da estudante Vanessa Maia. Os jurados entenderam que o réu praticou homicídio doloso simples (com intenção de matar) ao atropelar a jovem quando estaria participando de um racha na BR-369, em 15 de agosto de 1997. Segundo o juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Clève Machado, esta foi a primeira condenação por homicídio doloso em acidente de trânsito na comarca de Londrina.
Vanessa, que tinha 18 anos, foi atingida quando saía de uma festa no Parque Ney Braga (Zona Oeste). O júri não acatou a tese da defesa, que apontou que teria havido homicídio culposo (sem intenção), já que o suposto parceiro do racha está fora do processo. ''O racha pressupõe a participação de mais de um veículo'', alegou o advogado Hamilton Laertes de Araújo. Clève explicou que o outro rapaz foi excluído do processo porque o suposto parceiro poderia ser responsabilizado por direção perigosa, mas não pela morte de Vanessa.
Ontem, Araújo qualificou a decisão do júri como uma ''soberana injustiça''. ''Um culpado condenado é exemplo para os delinquentes, mas um inocente condenado é uma ameaça para todos os homens de bem'', declarou. O advogado disse que irá recorrer da decisão e reafirmou os argumentos que apresentou no tribunal.
''O Marcelo visualizou a vítima apenas quando foi ultrapassar o outro veículo. Ele freou o carro e tentou desviar. Tentou evitar o acidente. Ou seja, ele não assumiu o risco. Não houve dolo eventual'', alegou. A promotora Susana Broglia Feitosa de Lacerda refutou os argumentos.
''Nos autos, há laudos periciais que mostram que o réu freou muito depois de ver a vítima. Segundo testemunhas, ele viu a jovem e mesmo assim manteve a velocidade porque pretendia ultrapassar o outro veículo. No momento do impacto, o carro havia perdido aceleração de 78 km/h, o que indica que estava numa velocidade muito superior a esta. E tanto o réu quanto o outro participante do racha abandonaram o local e não prestaram socorro'', disse a promotora.

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