Rapaz é assassinado com quatro tiros
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quarta-feira, 21 de agosto de 2002
Phoenix Finardi<br> Reportagem local 
Se o número de homicídios continuarem ocorrendo em Londrina com a mesma frequência das últimas semanas, o mês de agosto pode ser o mais violento do ano. Até o dia 20 foram 12 assassinatos. O recorde do ano, por enquanto, pertence ao meses de março e maio, com 14 assassinatos cada um. A média de homicídios está em um a cada dois dias. O último crime foi anteontem à noite. O gesseiro Márcio Francisco dos Santos, 22 anos, que morava sozinho no Jardim Interlagos (zona leste), foi encontrado morto em casa, na Rua dos Marmelos, 387, assassinado com quatro tiros de revólver calibre 38. O total de pessoas assassinadas este ano em Londrina já chega a 85.
Segundo a polícia, perto do corpo de Márcio dos Santos foram encontrados dois projéteis já detonados e outro intacto. Os primeiros a chegar ao local do crime foram os bombeiros do Siate, avisados por um telefonema anônimo. De acordo com o delegado José Arnaldo Peron, havia sinais de luta na casa: '' A vítima provavelmente tentou se defender e deve ter sido agredida por mais de uma pessoa''.
A maioria das vítimas de homicídio, este ano, em Londrina, tinham idade entre 18 e 30 anos. Quase todos com algum envolvimento com narcotráfico. Para o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André, o trabalho da Força-Tarefa está sendo positivo e deve diminuir, nos próximos meses, o número de homicídios ligados ao tráfico de drogas em Londrina.
''Apesar de não trabalhar diretamente na área de investigação de homicídios, a Força-Tarefa deve ajudar a diminuir o número de assassinatos daqui pra frente porque a maioria deles está ligada ao narcotráfico'', afirmou, sem deixar de frisar que ''é uma coisa a ser esperada a longo prazo''.
Para André, a violência é o resultado direto da explosão demográfica e da pobreza: ''Londrina cresceu muito ultimamente, tem loteamentos novos, invasões e assentamentos por todo lugar. Temos muitas favelas aqui e a pobreza contribui muito para o aumento da criminalidade'', apontou. O delegado apóia sua teoria no fato de que grande parte dos produtos de roubos são encontrados em favelas: ''Acabamos de encontrar um monte de produtos roubados num barraco na favela Rosa Branca'', contou o delegado.
Para a polícia, a solução para a criminalidade tem que ser social: ''É preciso investir em urbanização. A prefeitura fez isso no Jardim União da Vitória, que era um dos lugares mais perigosos da cidade e agora é um bairro tranquilo'', disse o delegado.


