Jeziel Trevisan contou como o irmão Mizael Trevisan foi morto pela Polícia Militar. Conforme o delegado de Sarandi, José Maurício de Lima Sobrinho, o laudo do IML apontou ''sinais evidentes de execução'' na morte de Mizael.
Folha - Como ocorreu a morte de seu irmão durante a invasão da PM?
Jeziel Trevisan - Quando a polícia chegou, meu irmão correu até o carro para pegar a arma (uma espingarda calibre 12) e tentar esconder dentro da casa. Mas quando ia fazer isso levou um tiro no braço e caiu no chão. Eu me deitei no chão, rendido ao lado dele, e ainda falei com ele, que disse que estava vivo. Daí, os policiais me obrigaram a ficar com a cara no chão e me arrastaram para outro canto. Foi quando ouvi dois tiros.
Folha - Estes tiros foram contra o seu irmão?
Jeziel - (Chorando) Sim. Depois eu vi que os tiros acertaram na bunda e na cabeça do meu irmão, mas naquela hora só pude ficar com o rosto encostado no chão porque os PMs ameaçavam se a gente tentasse olhar o que estava acontecendo.
Folha - E o que aconteceu depois disso?
Jeziel - Depois que ouvi os dois tiros, ouvi um PM atirar com a espingarda do meu irmão e um outro policial falando assim: ''Tá louco cara, você atirou sem usar luva e sem nada''. Mas agora já limparam... senão em algum exame ia dar a digital do policial na espingarda.
Folha - Então não houve tiroteio entre vocês e os policiais?
Jeziel - Da nossa parte não houve nenhum tiro. Eles mataram meu irmão quando ele já estava caído no chão. Não precisavam ter feito aquilo.

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