Rapaz assume que atirou em Crovador
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de maio de 2001
Andréa Lombardo e Luciana Pombo De Curitiba 
Cleverson Firmino Miró, 18 anos, assumiu ontem a autoria dos disparos que mataram o advogado Luiz Renato Crovador, em novembro de 1999 em Curitiba. O depoimento foi dado na 1ª Vara do Tribunal do Júri, no julgamento de Edson Zucco e Setembrino José Nórdio, acusados de participação no assassinato. Os advogados de Daniel Serápio, também acusado de cumplicidade, conseguiram desmembrar o júri, adiando o seu julgamento para o próximo dia 11. Miró, na época menor de idade, foi condenado a três anos de internação. A previsão ontem era de que o julgamento se estendesse até a madrugada ou que fosse interrompido e reiniciado hoje.
O juiz Luiz Zarpelon pediu a prisão de Serápio até a data do julgamento. Ele foi encaminhado ao Centro de Triagem, mas seus advogados tentavam, ainda ontem, impetrar habeas corpus para sua soltura. Serápio e Setembrino estavam soltos há cerca de sete meses, quando seus advogados conseguiram a revogação da prisão preventiva. Eles foram presos logo depois do crime e ficaram detidos na Prisão Provisória do Ahú.
O advogado criminalista Luiz Renato Crovador, 53 anos, foi assassinado no dia 3 de novembro de 1999, entre as 8 e 10 horas, no Alto da Glória, área central de Curitiba. Dois rapazes teriam entrado no escritório identificando-se como clientes, rendido e levado o advogado até o banheiro, onde teria sido morto com diversos tiros. Os assassinos foram identificados como sendo Edson Zucco (na época com 22 anos e conhecido como Paulista) e Cleverson Firmino Miró (de 17 anos e vulgarmente chamado de Polaco).
A arma teria sido entregue para os assassinos por Daniel Serápio, amigo do garoto de programa Milis Rogério dos Santos suposto mentor do assassinato e amante de Vera Crovador, mulher do advogado. O crime teria sido cometido para que Milis e Vera ficassem com o seguro de vida do advogado, avaliado em R$ 600 mil. Vera teria entregue US$ 15 mil para a execução do plano. Deste valor, R$ 10 mil seriam repassados para os assassinos e R$ 1 mil para Serápio, que teria a obrigação de dar cobertura aos supostos pistoleiros.
O comerciante de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), Setembrino Nórdio, é acusado de ter intermediado as ligações e indicado os assassinos para Milis dos Santos, único que está foragido. Vera Crovador chegou a confessar o crime e ficou presa quase um ano na Penitenciária Feminina de Piraquara. Depois, disse que foi torturada e obrigada a confessar o assassinato do marido. Vera acusa os empresários Paulo Pacheco Mandelli e Joarez França Costa (o Caboclinho) de serem os mandantes do assassinato. Crovador era advogado dos dois empresários, acusados de comandarem uma rede de desmanche de carros roubados no Paraná.


