Rapaz assassinado era hóspede de hotel
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quinta-feira, 23 de janeiro de 1997
Paulo Ubiratan 
O jovem morto com oito tiros no final da manhã de terça-feira, na esquina das ruas Minas Gerais e Bejamim Constant (zona central), foi reconhecido como o assaltante que roubou um veículo Gol, cor vermelha, no dia 12 dezembro do ano passado. O assalto aconteceu na avenida Carlos Gomes, nas proximidades do monumento à Bíblia (zona central). Ele estava armado com revólver e rendeu mãe e filha que estavam no Gol. O reconhecimento foi feito pelas próprias vítimas. Uma semana depois do assalto, o carro foi recuperado casualmente na avenida Leste-Oeste, nos fundos da 10ª Subdivisão Policial (SDP), após cair acidentalmente da carroceria de um furgão.
O carro estava cortado ao meio e seria desmanchado. Segundo a polícia, a traseira do veículo roubado já havia sido implantada no Gol de Carlos Ailton Sanches, proprietário do hotel Varsóvia, localizado a menos de dez metros onde o jovem foi executado. Na época da descoberta do roubo, Sanches foi até a polícia acompanhado de advogado e alegou que havia emprestado o seu carro para um hóspede que conhecia apenas por Amarildo e nada sabia do implante. A polícia chegou a prender o mecânico Nivadino Alves Ferreira e Luciano Roberto Velho. O mecânico foi acusado de fazer o implante no carro de Sanches e Luciano de ter comprado o que sobrou do Gol roubado. Os dois estão com a prisão preventiva decretada e foragidos.
Ontem pela manhã, a polícia também descobriu que o porteiro do hotel Varsóvia, José Carlos Nairne e as camareiras Roselene Aparecida Carvalho e Márcia Aparecida da Silva, metiram em seus depoimentos. Eles afirmaram ao delegado que preside o inquérito do homicídio, Edmo Hermenegildo, que a vítima não estava hospedada naquele hotel. Eles foram desmentidos pelo delegado operacional da 10ª SDP, José Abrahão da Silva. O delegado revelou à Folha que tem provas e documentos de que o jovem estava hospedado há mais de dois meses no apartamento 103, no Varsóvia, com o nome de Carlos Ferrer. Abrahão investiga o envolvimento do jovem morto com ladrões de veículos e cargas de caminhões.
O jovem ainda não foi identificado. Com ele foram encontrados documentos de veículos e uma carteira de identidade com o nome de Felipe Fonseca Neto. O jovem foi executado por dois homens que fugiram em um Monza, cor azul, com placa fria. Uma testemunha disse que, antes de morrer, a vítima discutiu com alguém pelo telefone celular. Minutos depois, chegaram os assassinos atirando.


