O auxiliar de manutenção Junior Alves dos Santos, 20 anos, acusou ontem quatro soldados da Polícia Militar e um vigia de rua de espancamento. Ele diz que foi confundido com um homem que estuprou uma moça e assaltou uma residência na zona oeste.
O caso aconteceu na quarta-feira, às 21 horas, em uma viela localizada entre as ruas Casemiro de Abreu e Castro Alves, no jardim Shangri-lá. Antes de apanhar, Junior foi perseguido pelos policiais militares, que chegaram a atirar.
Junior teve a clavícula esquerda quebrada e ferimentos generalizados pelo corpo. Ele conseguiu identificar dois dos PMs como sendo Cestal e Ramos e o vigia como Rodrigo. O jovem disse que foi agredido quando ia visitar seus pais, na avenida Tiradentes.
‘‘Estava escuro quando fui surpreendido com um tiro que passou perto da minha cabeça. Sem saber quem era e o que acontecia, saí correndo e ouvi mais um estampido de tiro e alguém gritando para eu parar’’, contou. Junior disse que somente soube que eram policiais quando se escondeu atrás de uma árvore e procurou ver quem vinha em sua perseguição.
‘‘Quando eles se aproximaram mandaram eu deitar e me algemaram com as mãos para trás. Daí eles me deram pontapés, socos, tapas e prometeram me matar se eu reagisse.’’ Junior disse que tentou explicar que estava indo para casa da mãe, mas de nada adiantou. ‘‘Os policiais e o vigia estavam furiosos e, quanto mais eu falava, mais apanhava.’’
Depois de ter apanhado, o jovem contou que foi jogado dentro de uma viatura e levado às casas das duas vítimas. Nenhuma delas o reconheceu. ‘‘Diante do erro que cometeram, os policiais me libertaram, prometendo matar-me se eu contasse o ocorrido.’’
Chegando na casa dos pais, Junior voltou com eles ao local onde foi espancado. Eles encontraram apenas o vigia que, segundo Junior, ainda tentou dar-lhe uma punhalada. ‘‘Meu pai me salvou pois enfrentou o vigia, que saiu correndo e deixou a arma cair no chão.’’
A queixa na 10ª Subdivisão Policial foi registrada por volta das 18h de quinta-feira a pedido do advogado da vítima. A agressão foi denunciada no 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM). O subcomandante do batalhão, capitão Edwaldo Machado, disse que foi aberto procedimento sumário para apurar quais foram os PMs que agrediram o jovem. Ontem à tarde Junior fez exames de lesões corporais no Instituto Médico Legal (IML).

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