Ranger é única pista do sequestro a avião
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quinta-feira, 17 de agosto de 2000
Lúcio Flávio Moura Enviado a Porecatu 
A primeira pista consistente nas investigações do sequestro-assalto do vôo 280 da Vasp surgiu no início da tarde de ontem em meio a um canavial na Fazenda Jangadinha, em Porecatu (85 km ao norte de Londrina). Uma picape Ford Ranger branca, seminova, abandonada próxima a PR-450, a oito quilômetros do aeroporto de Porecatu, pode ser a mesma usada na fuga dos seis integrantes da quadrilha responsável por um dos mais ousados assaltos da história do Estado.
Além do modelo e cor, as mesmas descritas pelo vigilante do aeroporto Sebastião Morais da Silva em depoimento prestado ontem ao delegado de Porecatu, Márcio Vinícius Ferreira Amaro, o carro tem a mesma procedência do veículo visto pelas testemunhas do assalto. As placas são de Paranavaí: kis-6000. Conforme informou o delegado, a polícia rastreou a placa e já sabe que o carro foi comprado em um estacionamento em Paranavaí por R$ 15 mil à vista, em dinheiro.
Embora a área fosse vasculhada desde a noite de anteontem por equipes em terra, e através de sobrevôos de um bimotor cujos passageiros eram peritos criminais, foi o acaso que ajudou a polícia a encontrar o veículo. A denúncia de um agricultor anônimo de passagem por uma via estreita que corta o canavial no início da tarde acabou com as buscas: a picape estava escondida quatro metros plantação adentro, com o teto encoberto por folhagens da cana.
O avião em que fizemos o sobrevôo não era o mais adequado para este tipo de rastreamento. Não podíamos voar em baixa altitude, o que impossibilitava a visualização de detalhes. Nestas circunstâncias, o mais indicado seria um helicóptero, disse uma fonte da polícia.
O carro estava com as janelas abertas, a chave na ignição, a lona que revestia a carroceria levantada, supostamente para abrigar parte da quadrilha. Sobre um dos assentos, o pomo do câmbio, um pano (os policiais acreditam que o interior do veículo foi limpo para apagar impressões digitais), uma embalagem de uísque e uma garrafa de vodca cheia. Ao lado do carro, um capuz.
A Ranger será rebocada hoje para as instalações da Polícia Federal em Londrina. O Instituto de Criminalística de Londrina deve fazer hoje exame de impressões digitais e microanálise (serão procurados fios de cabelo, pontas de cigarro ou outros pequenos indícios). Também será analisado o nível do combustível e a numeração do chassi.
Hoje, o delegado de Porecatu deve ouvir o empresário João Ramalho e o mecânico de sua empresa de aviação agrícola para confirmar informações passadas pelo vigilante Sebastião da Silva. Ele afirmou que só havia uma pessoa na Ranger antes de a quadrilha desembarcar do avião.


