Rampas no centro vão facilitar locomoção de deficientes físicos
Rampas no centro vão facilitar
locomoção de deficientes físicos
Pessoas que usam cadeira de rodas ganham acesso mais fácil a calçadas. Cegos poderão ter semáforos sonoros
Lucilia Okamura
Dorico da Silva
Duro meio-fioCadeirante solicita ajuda de outras pessoas para descer de calçada: projeto visa amenizar barreirasRuas do quadrilátero central de Londrina terão rampas para facilitar o acesso de deficientes físicos às calçadas. Ontem de manhã, no Museu de Arte de Londrina (área central), o prefeito Antonio Belinati (PDT) assinou ordem de serviço para a construção de 1.750 rampas. O trabalho começa na segunda-feira e deve ser concluído em 120 dias.
A readequação de guias e calçadas faz parte do projeto municipal Cidade Para Todos. A construção de rampas (de 1,50 m de largura) será feita no quadrilátero que compreende as avenidas Leste-Oeste, Duque de Caxias, Juscelino Kubitschek e Higienópolis. Outras vias que terão rampas são as avenidas Tiradentes e Rio Branco, ruas Quintino Bocaiúva, Guaporé, Souza Naves e Bandeirantes.
Os recursos virão do governo federal. O secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, explica que a verba seria suficiente para a construção de 1.572 rampas. Mas o prefeito decidiu ampliar o serviço e beneficar mais algumas ruas, o que totaliza 1.750 rampas, observa.
A secretária municipal de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento, afirma que as rampas beneficiarão cerca de 15 mil deficientes físicos. Ela lembra que as rampas também serão úteis a gestantes, idosos e mães que saem com os bebês em carrinhos. A escolha das ruas beneficiadas com as rampas foi feita com a ajuda da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil).
Dentro do projeto está prevista ainda a instalação de 31 sinalizadores sonoros para atender os deficientes visuais. Righi de Oliveira explica que serão colocados aparelhos junto aos semáforos de ruas centrais. O equipamento emitirá tons diferenciados para que os deficientes visuais percebam quando o sinal está vermelho ou verde. Os recursos para a colocação de sinalizadores e a construção de rampas são de cerca de R$ 74,5 mil.
Marisa Goettel diz que já estão sendo feitos estudos para dar continuidade ao trabalho junto aos deficientes que inclui, entre outros itens, adaptação dos banheiros e dos prédios públicos. O secretário de Obras informa que até o segundo semestre deste ano será instalado um elevador no prédio da prefeitura, no Centro Cívico, localizado na avenida Duque de Caxias (zona sul).
O presidente da Adefil, Elder Senne, afirma que a instalação de rampas é o início de todo um trabalho para que os deficientes tenham livre locomoção pela cidade. Muita coisa tem que ser feita ainda, como facilitar o acesso nos prédios públicos e comerciais.
Ele explica que as rampas facilitarão bastante a locomoção dos cadeirantes. Hoje, é impossível o cadeirante se deslocar sozinho no centro.
Maria de Lurdes Macedo, diretora da Adefil, conta que a entidade recebe muitas queixas de cadeirantes que têm dificuldade de locomoção pela falta de rampas. É um benefício simples, mas que até hoje não é concedido aos deficientes, observa.
O presidente da Associação de Deficientes Visuais de Londrina, José Umebara, ressalta que os sinalizadores sonoros serão bastante úteis. Ele explica que o sistema já está implantado em alguns locais de Curitiba. Lá os sinalizadores funcionam bem, afirma.
Durante a cerimônia de assinatura da ordem de serviço, o prefeito comentou que a verba a ser investida na construção de rampas é pequena, se comparada ao alcance social da obra. Ele lembrou que o deficiente físico é tratado com desigualdade no País e que ainda é preciso fazer muitas adequações. É uma vergonha o próprio prédio da prefeitura não oferecer condições de acesso aos deficientes, admitiu Antonio Belinati.





