Rampa pode virar um obstáculo a mais
Rampa pode virar um obstáculo a mais
Áureo Nogueira
Milton DóriaNão resolve nada
O presidente da Adefil, Elder Senne, mostra dificuldade para usar rampas construídas pela prefeituraAs rampas de acesso de cadeiras de rodas, que estão sendo construídas pela Prefeitura de Londrina nas esquinas do quadrilátero entre as avenidas Leste-Oeste, Duque de Caxias, Juscelino Kubitscheck e Higienópolis (área central da Cidade), não estão seguindo as determinações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
O alerta é da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), que convocou uma reunião para hoje, às 9 horas, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), para tratar do assunto. Além da própria Adefil e do Ippul, devem participar representantes da Secretaria Municipal de Obras e da construtora responsável pela execução do projeto.
A readequação de guias e calçadas faz parte do projeto Cidade para Todos, que prevê a construção de 1.750 rampas no quadrilátero central e nas ruas Souza Naves, Quintino Bocaiúva e Guaporé e nas avenidas Tiradentes, Rio Branco e Bandeirantes.
O Cidade para Todos também prevê a instalação de 31 sinalizadores sonoros, que vão auxiliar os deficientes visuais a atravessar ruas centrais com semáforos. Além de cerca de 15 mil deficientes físicos, o projeto vai beneficiar idosos e mães que saem com carrinho de bebê.
Segundo o presidente da Adefil, Elder Senne, o principal problema apresentado pelas rampas já construídas é o grau de declive. A ABNT determina que a rampa pode ter no máximo 12 graus. Mais de 50% das rampas executadas apresentam declive muito maior do que o máximo recomendado, o que impossibilita a utilização de cadeiras de roda, motorizadas ou manuais, afirma Senne.
O presidente da entidade dos deficientes físicos aponta outros problemas na execução do projeto. Segundo ele, as rampas devem ter no mínimo 1,5 metro de largura - e muitas, segundo ele, não têm esse tamanho. Outro problema verificado pela Adefil é o acabamento da rampa. A ABNT recomenda que não haja desnível superior a 1,5 centímetro. Se houver, o desnível tem que ser arredondado. Infelizmente, há muitas rampas com desnível maior do que 1,5 centímetro ou com quina. Assim, há risco de a cadeira de roda bater na quina e tombar, derrubando o portador de deficiência, destaca Senne.
Além desses problemas, há ruas que apresentam degraus logo abaixo das sarjetas, devido a recapeamentos. Há casos, como no cruzamento da Avenida Rio de Janeiro com a Rua Pará, em que o degrau é de mais de 10 centímetros. Assim, a cadeira vai ficar enroscada na sarjeta, comenta Élder Senne. Ele informa que as rampas devem ter ainda piso diferenciado em todo o seu contorno, para evitar acidentes com deficientes visuais. O piso diferenciado mostra ao deficiente visual que ele está chegando a uma via. Assim, ele pode redobrar os cuidados para fazer a travessia, sem riscos de atropelamento.
Élder Senne diz ainda que se esses problemas não forem solucionados o investimento - R$ 74,5 mil, enviados pelo Governo Federal - será desperdiçado, porque as rampas não terão utilidade alguma para os deficientes. Temos a certeza de que a reunião no Ippul vai solucionar os problemas, determinando a correção das rampas já construídas e a execução correta do projeto nas restantes.





