Ramal do gasoduto depende de demanda
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terça-feira, 28 de julho de 1998
Cláudia Lopes 
Caso seja comprovada demanda por gás natural em Londrina, a região deve ganhar um ramal do Gasoduto Bolívia-Brasil - podendo inclusive sediar um site gate (portão de entrega do gás) da Companhia Paranaense de Gás Natural (Compagás), concessionária responsável pela distribuição de gás natural no Estado. A informação é do assessor comercial da estatal, Jorge Olímpio Cruz, que participou ontem de uma reunião técnica para discutir o início dos trabalhos de medição do potencial energético de Londrina junto com empresários locais, na Associação Comercial e Industrial de Londrina.
Ele descarta a mudança no traçado original do gasoduto Bolívia-Brasil já que o financiamento para a construção foi obtido em cima do projeto atual, como a Folha já havia adiantado no início deste mês. Cruz começa a fazer o levantamento da demanda de gás em Londrina na segunda quinzena de agosto, devendo visitar mais de 30 empresas que utilizam lenha, óleo combustível e gás de cozinha (GLP), energéticos que podem ser substituídos pelo gás natural. Na verdade, vamos atualizar um levantamento que foi feito pela Compagás há oito anos. Se for comprovada a demanda, Londrina terá um ramal do gasoduto, garante. Ele diz que há possibilidade de formação de um consórcio para fazer o transporte do gás até a região. No site gate, também é feita a odorização do gás natural para que, em caso de vazamento, o produto seja perceptível, explica Cruz.
No estudo junto as empresas, será levado em consideração a projeção de uso do gás natural até o ano 2005, a utilização atual dos outros energéticos e o consumo destes nos últimos três anos. Segundo levantamentos do Plano de Desenvolvimento de Londrina (PDI), a Cia. Cacique de Café Solúvel, que usa hoje 430 mil quilos de GLP/mês, tem possibilidade de utilizar 930 mil toneladas de gás natural; a Herbitécnica, que consome 3 mil quilos/mês de GLP, pode usar até 100 mil quilos de gás natural e a Eliane pode dobrar seu consumo energético se houver distribuição de gás natural na região. Hoje, a empresa utiliza 270 mil quilos de GLP/mês e 100 mil quilos de óleo combustível/mês, segundo o superintendente Rivaldo Tiscoski, que também participou da reunião.
Tiscoski descartou a possibilidade da Eliane transferir sua unidade para outro município caso a região não seja contemplada por um ramal. A vinda do gás natural será fundamental para que a empresa possa colocar em prática um projeto de ampliação, onde devem ser investidos outros US$ 10 milhões, conta.
Para cada quilo de GLP é usado 1,25 metros cúbicos de gás natural e, para cada quilo de óleo combustível, é necessário um metro cúbico de gás natural. Com o gás, a Eliane terá um ganho de 30% a 40% em relação ao GLP, calcula Jorge Cruz, da Compagás. O ganho de uma empresa que usa óleo combustível irá variar de 10% a 15%. O estudo deve ficar pronto em dois meses.


