Rali nas estradas rurais
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem local 
As chuvas desta semana complicaram a vida de quem precisa transitar pelas estradas rurais de Londrina. Alguns trechos exigem muita atenção e coragem dos motoristas, em outros, veículos sem tração simplesmente não conseguem trafegar, em função do barro, que deixa as vias escorregadias.
Uma das estradas em situação mais crítica é a Estrada da Selva, no Patrimônio da Selva, na zona sul, o que dificulta o escoamento da produção de produtos de hortifruti e produção leiteira. "Quando chove não passa nada. Só trator e caminhão. E quando está seco é uma poeira só", disse o agricultor Claudeci Rodrigues da Silva, de 44 anos. Ele trabalha em um sítio na produção de abobrinha e batata doce, que abastece os supermercados da cidade. "Quando tem que escoar a produção a gente reza para não chover, porque senão não tem como levar", contou.
A chuva de segunda e terça-feira prejudicou a colheita, principalmente de batata doce. Eles costumam colher nas quartas-feiras, mas como a estrada estava sem condições de tráfego, o agricultor resolveu deixar a produção na terra.
Rodrigues disse que os agricultores da região já fizeram pedidos à Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento para que fosse realizada a manutenção. O trabalhador rural Jaderson José Ferreira, de 30 anos, também reclama das condições da estrada. Ele passa pela estrada diariamente para ir trabalhar na produção de milho verde. "A estrada toda está de espantar. Eles colocaram cascalho em parte da estrada, lá em cima, mas no lugar onde está pior não colocaram", reclamou, enquanto avaliava se tentava ou não subir o morro.
Depois de pensar um pouco, desistiu.
Minutos antes, o carro da lavradora Marlene Domingues Ferreira da Costa, de 51, havia derrapado e atolado em um barranco. Ela e a família foram visitar uma amiga no Patrimônio da Selva e quando voltavam para Lerroville, o carro derrapou em uma subida. "Não deu para segurar. Tentamos pegar embalo três vezes e na última ele atolou no barranco", contou.
Ela ficou espantada com a situação precária da estrada. "Passamos aqui mês passado. A estrada estava um pouco melhor, mas estava seco", contou. Segundo ela, a situação em Lerroville é parecida com a da Estrada da Selva. "O pessoal reclama que está difícil sair com a produção por causa do estado da estrada. Está difícil para todo mundo", disse.
A manutenção da estrada está no cronograma da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, mas segundo o secretário Vitor dos Santos Júnior, o mau tempo deve atrasar os trabalhos. As estradas do Patrimônio da Selva são as próximas a serem atendidas pela força tarefa realizada pela secretaria, em parceria com a secretaria de Obras. "Não vamos sair de lá até tudo estar pronto", enfatizou o secretário. O Sindicato Rural de Londrina já havia pedido uma atenção urgente para a estrada.
RITMO LENTO
Para o Sindicato Rural de Londrina, o ritmo de trabalho da Secretaria de Agricultura e Abastecimento fica aquém do esperado. "As obras estão devagar demais, precisava de mais agilidade. As equipes da secretaria trabalham apenas seis horas diárias e há poucos funcionários. É preciso mudar a forma de trabalho", reclamou Narciso Pissinatti, presidente do sindicato.
A preocupação é com o escoamento da safra de trigo e milho. "Deu uma safra boa e se continuar chovendo os produtores não conseguirão sair com a safra", enfatizou.
Segundo ele, com as estradas na situação atual, o agricultor perde em custo. "Com estradas em boas condições, o caminhão pode carregar entre 12 e 13 toneladas, mas nas atuais condições os caminhões saem com 7 ou 8 toneladas para conseguir subir os morros, sofrem mais quebras e tudo isso é prejuízo. O custo de transporte aumenta e onera o produtor."
O sindicato tem bom diálogo com a Prefeitura e por diversas vezes auxiliou com o fornecimento de equipamentos para a realização de obras nas estradas rurais, mas segundo Pissinatti não existe uma continuidade dos trabalhos.
Na avaliação do presidente, 50% dos quase 900 km de estradas rurais do município estão em condições regulares. As demais precisam de readequação e manutenção das caixas de retenção de água.
Santos Júnior rebateu as críticas do presidente do sindicato e afirmou que a dificuldade da secretaria é com a falta de caminhões para transporte do moledo. A frota de cinco caminhões está ganhando incremento de outros três veículos usados que foram doados pela Secretaria de Obras e também deve ser aberta licitação para compra de três caminhões novos.
ESTRADA DO BULE
Outra estrada que está dando dor de cabeça aos agricultores é a do Bule, no Patrimônio Regina, na zona sul. No entanto, de acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento, Vitor dos Santos Júnior, existe previsão para manutenção da via, mas não há data para a execução. Segundo ele, o trabalho na estrada é mais moroso, pois é necessária uma grande carga de moledo. Mas os caminhões da secretaria estão atendendo as obras da Usina Apucaraninha. "Calculei que ali na Usina Apucaraninha serão necessários 3.300 caminhões de moledo. Então vai demandar tempo e ela é uma obra prioritária. Só depois é que vamos nos focar na Estrada do Bule", explicou o secretário.


