Raio-x de cadáveres é feito no HU
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quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Cerca de 10% dos cadáveres necropsiados em Londrina são encaminhados ao Hospital Universitário (HU) para passar por exames de raio-x. A situação um tanto inusitada se deve ao fato de o Instituto Médico Legal (IML) não possuir estrutura para realizar o procedimento, necessário em certos casos.
O órgão recebeu um equipamento de raio-x em 2002, doado pelo IML de Curitiba, mas nunca o instalou alegando que traria mais problemas que benefícios. A máquina tem quase 30 anos e foi substituída, na Capital, por um sistema mais moderno e seguro. ''Esse equipamento (que está em Londrina) é um espalhador de raios, um modelo ultrapassado e mais perigoso'', reconhece o diretor-geral do IML no Paraná, Hélio Galileu Bonetto.
O chefe do IML em Londrina, Gabriel Fernandes Neto, acrescenta que a visualização dos projéteis por meio desse equipamento é ruim e que ele exigiria a contratação de um técnico de radiologia. ''Um físico da UEL fez uma avaliação e concluiu que não compensaria instalá-lo'', afirma.
Sem o equipamento, o Instituto tem que pedir colaboração ao HU nos casos em que a localização de projéteis de arma de fogo em cadáveres é mais complicada. A radiografia não é insubstituível, mas facilita bastante a ação dos peritos, sobrecarregados de trabalho. Bonetto diz que o uso do raio-x é ''eventual, necessário em 5% a 10% dos casos''. Em Londrina, o órgão encaminha para o HU, em média, de um a dois corpos por semana - de um total de 80 necrópsias realizadas por mês.
Para transportar os cadáveres para o outro lado da cidade (o IML fica na Zona Oeste de Londrina e o HU, na Leste), o instituto tem que utilizar a única viatura disponível. Há mais dois veículos, mas estão tão velhos que sempre demandam consertos - ambos se encontram parados.
No hospital, são tomadas as mesmas medidas de higiene que o raio-x de um paciente vivo exige. ''A mesa sempre é limpa ou desinfeccionada após cada exame. Não há nenhum risco para a população'', tranquiliza o chefe da divisão de Radiografia do HU, Dirceu Henrique Blanco. ''Para o médico legista é importante o raio-x, pois fica difícil sair dissecando o cadáver até achar um projétil.''
Outras instituições, porém, rejeitam o procedimento - o que se torna um problema, já que nenhum IML do interior do Estado possui aparelho de raio-x. Em quatro regionais consultadas pela FOLHA, os legistas simplesmente não realizam o exame.
''Com o equipamento o trabalho é muito mais prático, mas os vivos não querem uma mesa em que um defunto deitou'', diz o investigador de polícia do IML de Apucarana, José Jerônimo dos Santos. Em Cascavel, o IML informou que ''há uma luta antiga'' com os hospitais, que não aceitam cadáveres. ''Aqui também não. Os legistas têm que procurar projéteis exaustivamente'', foi o comentário em Maringá. Em Guarapuava, uma funcionária afirmou que levar corpos a um hospital ''não tem nem lógica''.


