Eliminação de dores de origem dentária e de cáries, combate à nevralgia, inflamações e bactérias, auxílio na eliminação da halitose, além da utilização no clareamento do sorriso. As aplicações do laser na odontologia estão se tornando cada vez mais vastas graças à inexistência de reações adversas neste tipo de tratamento. Basta agora vencer a resistência dos próprios profissionais de saúde, que vêem nos altos investimentos um entrave para a popularização plena do serviço. A opinião é do dentista mestre em aplicação odontológica de laser, Wagner Calmon, que esteve em Londrina nesta semana, oferecendo um curso de aplicação de laser na clínica diária.
Segundo o dentista, a utilização do laser na clínica dentária é uma prática ainda pouco comum entre os profissionais do País. ''A técnica já existe no Brasil desde 1996, mas somente há cerca de cinco anos começou a ser difundida. Ainda tem pouco alcance'', afirma.
A popularização de fato deve ocorrer nos próximos anos, já que, segundo Calmon, a técnica tornou-se financeiramente acessível ao público há pouco tempo. O tratamento sem dor também tem ajudado na difusão do serviço. ''Hoje é possível fazer um serviço de clareamento dentário por cerca de R$ 1 mil, de uma maneira bem menos agressiva que técnicas convencionais. Além disso, somente uma aplicação de laser é o bastante para que problemas de dentes sensíveis à temperaturas altas ou baixas sejam eliminados'', afirma o dentista.
Na lista de serviços capazes de serem realizados com o laser, nada de destruição ou cortes cirúrgicos, como a ficção nos força a imaginar. ''O princípio do laser é o da ativação celular. Desta forma ele promove a regeneração dos tecidos'', explica. O dentista também garante que além de não oferecer riscos de reações adversas ou efeitos colaterais, o laser elimina as possibilidades de ferimentos durante um procedimento.
Ao contrário do que se pode imaginar, a utilização do laser é um tabu entre os próprios profissionais, e não entre a clientela. ''Muitas pessoas procuram as clínicas odontológicas e perguntam se o tratamento a laser já está disponível. Já entre os dentistas, a implantação do sistema é difícil porque os investimentos são altos e falta conhecimento sobre o que é possível se fazer'', diz.
Segundo Calmon, todos os procedimentos odontológicos atuais podem utilizar o laser como ferramenta principal ou auxiliar. Os investimentos para que uma clínica disponha de todos os recursos possíveis, no entanto, são altos. ''Enquanto um consultório convencional que conte com pelo menos um equipamento a laser, pode custar em média US$ 7 mil, um dentista que pretende utilizar todos os recursos disponíveis pode gastar até US$ 160 mil'', exemplifica. ''Esse é o maior entrave para que o sistema se popularize de vez''.
A popularização do serviço, porém, não deve eliminar a origem dos traumas dos clientes dos dentistas: a temida broca, conhecida como ''motorzinho''. ''Alguns procedimentos exigem o uso deste equipamento. Na minha opinião, o motorzinho não vai morrer nunca'', brinca Calmon.

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