Londrina

Mário CésarApoio garantidoRainha cumprimenta Belinati: prefeito envia moção à Justiça capixaba pedindo novo local para julgamentoO líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, disse ontem em Londrina que acredita na possibilidade do desaforamento do seu segundo julgamento, marcado para 16 de setembro na cidade de Pedro Canário (ES). O MST está tentando transferir o júri para Vitória para garantir a ‘‘neutralidade’’ do julgamento. Rainha veio conhecer a experiência de Londrina, que cedeu uma área para o MST estruturar uma cooperativa para trabalhadores já assentados.
A cooperativa está em fase de estruturação e terá a função de coordenar trabalhos técnicos de produção e comercialização de produtos oriundos dos assentamentos. A sede da cooperativa dos sem-terra será construída em terreno a ser doado pelo Município. O projeto de doação da área de 1.200 metros quadrados deve ser encaminhado na próxima semana à Câmara de Vereadores.
José Rainha Júnior disse que sua vinda a Londrina também teve o objetivo de obter apoio ao pedido de desaforamento do júri. ‘‘Tenho o apoio de governadores de Estado, de artistas e também preciso da manifestação de prefeitos de cidades de médio porte, como Londrina, que é referência nacional.’’
De imediato, o prefeito Antonio Belinati determinou o envio de uma moção de apoio ao líder do MST. No documento, encaminhado ao presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, o prefeito solicita o desaforamento do júri como forma de assegurar sua transparência. ‘‘Sabemos que, por toda situação desfavorável, pelos vícios do júri anterior, ele já está condenado, se o julgamento for novamente em Pedro Canário’’, disse Belinati. O prefeito também manifestou solidariedade, falando em nome de sua mulher, a vice-governadora do Estado, Emília Belinati.
Rainha Júnior afirmou que, independente do pedido de desaforamento ser ou não acatado, irá comparecer ao julgamento. ‘‘É fundamental que a sociedade veja que não é o julgamento de um assassino. Quero provar que sou inocente. Vou sentar no banco dos réus com todo respaldo que conseguir obter.’’
O líder dos MST já obteve apoio do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), que deverá ser testemunha de defesa no segundo julgamento. Jereissati se colocou ‘‘à disposição’’ dos advogados de defesa para ajudar a provar que Rainha estava no Ceará na época em que ocorreu o crime pelo qual foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão.
A condenação de Rainha ocorreu em 11 de junho passado. Ele foi a acusado de ser responsável pelo assassinato do fazendeiro José Machado Neto e do soldado da Polícia Militar Sérgio Narciso, crime ocorrido em Pedro Canário (270 km de Vitória-ES), no dia 5 de junho. Os advogados de Rainha defendem a tese de que ele liderava uma invasão na fazenda São Joaquim, em Madalena (182 quilômetros a oeste de Fortaleza).

mockup