Lúcio Horta
De Londrina
O secretário estadual da Saúde, Armando Raggio, descartou ontem de manhã em Cambé (13 km a oeste de Londrina) qualquer possibilidade do Estado vir a participar da reativação do Hospital Londrina. A reabertura da unidade, fechado em dezembro de 1997, é uma das maiores reivindicações da comunidade para melhorar e ampliar o atendimento da saúde pública na região e já motivou diversas reuniões para tratar do assunto.
Para o secretário, no entanto, o Hospital Londrina hoje é nada mais que um ‘‘símbolo’’ que a comunidade adotou para cobrar melhorias na saúde. ‘‘Mas isso não significa dizer que essa melhoria deva ser feita naquele local’’, ponderou.
Segundo Raggio, somente o valor necessário para a compra do prédio que abrigou o hospital, estimado pelos proprietários em até R$ 5 milhões, já torna o negócio inviável. A menos, destaca Raggio, que a União resolva destinar recursos para o projeto.
A posição do secretário foi criticada ontem pelo vereador Tercílio Turini (PSDB), de Londrina, que participa da articulação para reabertura do hospital. ‘‘Se as coisas estivessem realmente acontecendo, se as melhorias na saúde estivessem ocorrendo, o discurso até poderia ser coerente’’, afirmou.
Tercílio Turini afirma ainda que já perdeu as contas do número de promessas que foram feitas para liberar verbas para o Hospital Universitário (HU) de Londrina. Segundo o vereador, uma verba de R$ 30 milhões chegou a ser prevista no orçamento e nunca apareceu. Há quase um ano, acrescentou Turini, pouco antes das eleições, o governo teria assinado um protocolo para liberar outros R$ 1 milhão, mas o dinheiro também não apareceu.
O vereador criticou também o fato de Raggio aparecer na região sem avisar o grupo que articula a reabertura do Hospital Londrina. Há pouco mais de uma semana, o secretário cancelou na última hora uma reunião com o grupo para discutir a questão, alegando outros compromissos. Turini espera que no próximo encontro que foi agendado, no dia 30, ele finalmente compareça.
O secretário visitou Cambé para entregar equipamentos para a Santa Casa (leia texto nesta página) e também visitar o Hospital São Francisco e a Unidade Municipal de Saúde do Jardim São Paulo. Além do Hospital Londrina, ele também comentou os problemas de superlotação e interrupção no atendimento dos pronto-socorros de Londrina.
Para Raggio, um dos problemas que deve ser considerado é a falta de um trabalho ainda mais intenso para disciplinar a demanda. Isso significa, na visão do secretário, que muitos pacientes que poderiam ser atendidos nas unidades básicas de saúde acabam procurando - e superlotando - os postos de saúde.
A melhoria nas condições físicas, segundo Raggio, também é uma preocupação. Ele informa, por exemplo, que o Hospital da Zona Norte (HZN) em um ano deverá ter ampliado para 60 o número de leitos, num investimento de R$ 1,2 milhão. ‘‘Já temos um quarto desse valor’’, adianta. Já sobre o Hospital da Zona Sul (HZS), o secretário disse que não há mais possibilidade física de expansão.
Raggio garantiu ainda que até o final do ano o Estado deverá liberar a verba de R$ 1 milhão, prometida ano passado pelo governador Jaime Lerner (PFL) para início da reforma do Hospital Universitário (HU). Já os R$ 6 milhões restantes, para conclusão de uma parte da reforma, e os outros R$ 23 milhões que totalizariam os recursos necessários para a ampliação do HU, não tem previsão para serem liberados.

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