Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
O secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio, frustrou lideranças de Londrina ao cancelar ‘‘na última hora’’ sua participação em uma reunião que aconteceria pela manhã na Câmara de Vereadores. No encontro, seria discutida a reativação do Hospital Londrina, localizado em Cambé. Os participantes decidiram marcar outra reunião para o dia 30 deste mês.
‘‘Estamos como crianças abandonadas, ficamos quase dois meses sem insulina na Regional de Saúde’’, lamentou o presidente do Conselho da Região Leste, Armando Porto Alegre, inconformado com a ausência do secretário.
No início desta semana, Raggio confirmou ao Secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho, Alex Canziani, que viria para a reunião. ‘‘Ontem, quando estava saindo de casa às 8 horas, recebi a ligação do chefe de gabinete do secretário dizendo que ele (Raggio) precisava ir a São Paulo e mandou pedir desculpas’’, disse Canziani às lideranças comunitárias.
O vereador Tercílio Turini (PSDB), que apostava na vinda de Armando Raggio, lamentou que só ontem, às 9 horas, o diretor-geral da Secretaria de Saúde, Arnaldo Bertone, ligou avisando que Raggio iria para uma reunião com outros secretários de saúde em São Paulo. ‘‘A presença de Raggio é fundamental para que o Estado possa garantir uma fatia dos recursos do SUS para a reativação do Hospital’’, pondera.
Rosicler Moreira, presidente da associação de moradores do Conjunto Aquiles Stenghel, entendeu que houve descaso por parte do secretário. ‘‘Todas as comunidades estavam avisadas e não havia como desmarcar. É um descaso com toda a população’’, reforçou Maria Anideje de Mello, presidente da Comissão em Prol à Reativação do Hospital Londrina.
Presente ao encontro na Câmara, o deputado federal Florisvaldo Fier (PT) sugeriu que o Governo do Estado crie uma dotação orçamentária específica para a reativação do Hospital Londrina.
Em Curitiba, a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde disse que Armando Raggio precisou desmarcar a viagem em razão de um imprevisto e que uma nova data deve ser anunciada na semana que vem.
O secretário municipal de saúde de Cambé, Antonio da Silva Freitas, disse à Folha que o Hospital Londrina tinha capacidade para 200 leitos, mas funcionava com 60. Em dezembro de 97, quando fechou, a manutenção mensal da instituição era de R$ 250 mil. Freitas disse ainda que a ex-direção chegou a pedir R$ 4 milhões pelo hospital. Depois da retirada da maioria dos equipamentos, o Instituto Geral de Assistência Social Evangélica (Igase), proprietária do hospital, chegou a pedir R$ 7 milhões. O Hospital Londrina tem 10 mil metros de área construída num terreno de 20 ml metros quadrados.Secretário da Saúde cancela, de última hora, encontro que iria debater problemas da região
Paulo WolfgangSEM SOLUÇÃORepresentantes de entidades comunitárias e políticos aguardavam a presença do secretário: um dos assuntos em debate seria o Hospital Londrina, fechado em dezembro de 97

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