Edson MazzettoDo ramoWalter Zimermann, empresário de rádio há 40 anos: ‘‘Rádios comunitárias fazem concorrência desleal’’ A disseminação das chamadas rádios comunitárias, em várias regiões do Estado, está provocando reação dos empresários ligados à Associação das Empresas de Radiodifusão do Paraná (Aerp). Eles apontam ilegalidade na operação e a concorrência desleal destas pequenas emissoras, com alcance limitado às próprias cidades onde estão instaladas. Walter Zimermann, fundador e ex-presidente da Aerp, 40 anos no setor e dono da Rádio União de Céu Azul (46 km a leste de Cascavel), disse ontem que as rádios ‘‘nada têm de comunitárias e acabam encobrindo picaretagens’’.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados já aprovou projeto regulamentando as rádios comunitárias. Na primeira votação em plenário, no início do mês, o projeto não passou: 318 deputados foram contra e 67 a favor. Do Paraná, entre os que aprovaram apenas Hermes Parcianello (PMDB), Maurício Requião (PMDB) e José Janene (PPB). A delegada do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) no Estado, Tereza Dequech, alerta que a simples aprovação na CCJ não estabelece leis, por isso as emissoras são ilegais e serão todas lacradas.
O Dentel já fechou algumas, como as de Cantagalo e Pinhão (Centro do Estado), e prepara-se para fechar as de Boa Esperança do Iguaçu e Dois Vizinhos (Sudoeste do Estado). Em algumas cidades, os fiscais têm enfrentado resistência. Na semana passada, o engenheiro Donizete José dos Santos tentou lacrar a rádio de Lindoeste (40 km ao sul de Cascavel), que funciona em uma sala da Cooperativa Agrícola de Reforma Agrária (Coara). O engenheiro disse ter sido agredido ‘‘por pessoas que estavam no local’’. A Delegacia do Dentel deve pedir força policial para a interdição.
No Oeste, ainda operam rádios em Santa Helena, Serranópolis do Iguaçu e Missal. Em todas, teria havido resistência e há informações de que outra está sendo ativada em Cascavel.
Geralmente, as emissoras funcionam com apoio de prefeituras, através de associações comunitárias, e operam em frequência modulada (FM), com 25 watts de potência, mas há casos em que esta capacidade é dobrada. Walter Zimermann denuncia que há pelo menos uma empresa, de São Paulo, que está oferecendo equipamentos para prefeituras para que montem as emissoras, ‘‘com a informação mentirosa de que a rádio comunitária é uma realidade’’.
A Folha teve acesso à uma correspondência enviada a uma das prefeituras, com oferta de equipamentos. O kit completo para transmissões custa cerca de R$ 3,3 mil e a entrega é prometida para 10 dias para que os municípios ‘‘tenham este poderoso meio de comunicação em suas mãos’’. Com as emissoras, os municípios estariam em condições de ‘‘divulgar notícias de interesse da população, sem ter que recorrer às emissoras locais de grande porte (e grande custo)’’. Segundo Walter Zimermann, o custo para as prefeituras acabam sendo ‘‘maiores, porque eles têm que arcar com todas as despesas’’.
Zimermann observa que, além da ilegalidade, as emissoras fazem concorrência desleal com as ‘‘legais’’ porque estas são submetidas a tributos como do fundo de telecomunicações, direitos autorais e todos os demais comuns às empresas regulares. Zimermann acha que as prefeituras acabam entrando em ‘‘perigosa aventura’’ porque acumularão prejuízos com o lacramento. Segundo ele, também o alcance das mensagens de interesse das prefeituras ‘‘é praticamente nulo’’.

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