'RADIOGRAFIA' - Como vai a saúde, nos 4 cantos da cidade?
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quinta-feira, 19 de julho de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Duas semanas depois do Hospital Universitário de Londrina iniciar as obras de reforma do pronto socorro e implantar um novo sistema de triagem reduzindo o atendimento, a reportagem da FOLHA fez um rápido giro pelos quatro cantos da cidade para visitar alguns postos de saúde e conversar com funcionários e pacientes. Ao contrário do que se cogitava, as restrições do HU, até agora, não tumultuaram os postos. A FOLHA ouviu algumas queixas da estrutura mas muitos elogios para o atendimento.
Maria Aparecida Razonete, 59 anos, frequenta o Centro de Saúde do Jardim União da Vitória, Zona Sul de Londrina, duas vezes por semana. Para ela, apesar da falta de estrutura, não se pode reclamar dos enfermeiros. ''O problema não é o posto, é o sistema de saúde.''
Ela quebrou o braço, foi atendida em dois hospitais e agora faz tratamento na unidade básica. ''O que cabe ao posto é feito. Meu remédio de pressão nunca faltou'', confirmou Maria. Segundo ela, até moradores de bairros vizinhos frequentam a UBS em busca do bom atendimento. No entanto, justamente ontem, o posto estava sem plantonistas.
Na Zona Norte, na UBS do Conjunto Maria Cecília, pacientes de localidades próximas também procuram o posto de saúde do bairro para consultas. Edson Amantéa, 36 anos, levou a esposa, com dores no corpo, para o pronto-socorro do Maria Cecília na manhã de ontem. Morador do Jardim das Palmas, ele costuma frequentar a UBS do Conjunto Chefe Newton Guimarães, também na Zona Norte.
''Quando a gente vai ao posto lá do bairro é bem atendido, a consulta acontece no horário marcado, mas quando precisa de pronto atendimento eles mandam para cá'', disse Amantéa. Para ele, só nos fins de semana o atendimento é mais demorado no Maria Cecília. ''A gente vai no posto uma vez por ano só, geralmente no frio, por causa de alguma gripe''.
As vizinhas Gabrielly Maio de Oliveira e Stéphanie Milene do Carmo, ambas com 16 anos, costumam se consultar com os médicos da UBS do Jardim Marabá, na Zona Leste e não têm do que reclamar.
Desde pequena Gabrielly frequenta o posto quando precisa de cuidado médico. Para ela, ''o tratamento é bom. Nunca faltou médico''. Já Stéphanie passou a usar a UBS depois que mudou-se para a mesma rua do centro de saúde. ''Sempre que preciso de remédio busco aqui porque nunca falta.''
Segundo as amigas, ''o atendimento é demorado só quando tem muita gente. Quando não tem quase ninguém, é bem rápido'', opinaram.
Na Zona Oeste, a referência é o posto de saúde do Jardim Leonor, o mais movimentado da região. Segundo a enfermeira Rosemary Molina, gerente do centro, a unidade é a única a prestar pronto atendimento 24 horas fora do Centro da cidade.
''É o único centro diferenciado, com 30 plantonistas e 13 equipes do Programa Saúde da Família'', informou Rosemary. Conforme ela, a procura espontânea por atendimento gira em torno de mil pessoas diariamente e as consultas eletivas chegam a 300 por dia. ''São 10 mil casos de urgência e emergência por mês'', estimou.
A estrutura de 1,2 mil metros quadrados conta com uma sala de emergência equipada com desfibrilador e monitor capaz de atender pacientes em parada cardíaca. ''Em oito minutos o Samu chega aqui.''
Conforme Rosemary, desde que assumiu o cargo de gerente, há oito anos, a demanda diária de consultas de emergência subiu de 3 mil para 10 mil. ''O atendimento melhorou com as equipes da Saúde da Família'', garantiu a enfermeira.
Segundo ela, com o programa, foi possível diagnosticar a área de abrangência do bairro e realizar ações de promoção e prevenção à saúde com mais eficiência. ''Nem toda ação está no posto. É um trabalho coletivo, feito na comunidade.''
As reclamações são bastante pontuais, como afirmou a gerente, e normalmente, os pacientes já conhecem a rotina do posto e ''se está lotado, voltam mais tarde''. ''Estamos sem um médico e sem uma enfermeira em duas equipes do Programa Saúde da Família, mas até semana que vem a situação deverá se regularizar.''


