Vinte horas e quarenta e cinco minutos, foi o tempo que o cartorário e radialista Roberto Hinça passou boiando, desesperado, esperando ser resgatado em alto mar, depois de ter caído de um jet-ski.
Roberto e o empresário Paulo Sass passeavam de jet-ski com outros dois amigos, quando o jet-ski de Paulo apresentou problemas mecânicos. Enquanto um dos amigos rebocava o jet-ski para a praia, Roberto tentou dar uma carona para Paulo.
Os dois caíram no mar por volta das 14 horas do sábado, perto da Ilha do Mel. A angústia só terminou às 7 horas da manhã de domingo para Paulo, que conseguiu chegar nadando numa das praias do litoral, e às 10h45 da manhã do mesmo dia para Roberto, que foi localizado por pescadores.
De acordo com Roberto, ‘‘Paulo não conseguiu se equilibrar para subir no jet-ski (quando tentou socorrê-lo) e nós caímos duas vezes. Na última, a correnteza levou o jet-ski e ficamos à mercê das ondas. Em segundos fomos levados, cada um numa velocidade diferente, e separados’’.
Paulo conseguiu nadar até a praia do Atami. O equipamento de segurança que ele usava era profissional e permitiu que mantivesse o corpo fora d’água boiando e nadando intercaladamente. Mas Roberto, que usava um colete bem menor que o recomendado para o seu peso, só conseguiu ficar com a cabeça de fora e passou a noite inteira boiando até que pescadores o encontraram.
‘‘Foi um milagre. Vou passar o resto da vida pagando as promessas que passei a noite toda fazendo. Gritei muito, cantei, rezei, conversei com as estrelas, tudo para tentar manter a calma e a vida’’, conta Roberto.
Os dois foram atendidos no hospital de Pontal do Sul e precisaram tomar medicamentos anti-depressivos para equilibrar o estado emocional. Ontem eles já estavam trabalhando normalmente. Roberto no cartório de São José dos Pinhais e Paulo na Marumby Têxtil, em Curitiba.

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