Radares vão deixar de tolerar motorista
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quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Katia Michelle<BR>De Curitiba 
Os motoristas de Curitiba vão ter até o dia 30 de setembro para se adaptarem a uma nova regra do trânsito. A partir dessa data, a Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) vai extinguir as advertências que antecediam as infrações por excesso de velocidade registradas pelos radares. Desde agosto de 1999, o motorista flagrado por um radar recebia três advertências antes de ser notificado oficialmente. Mas em outubro, os avisos não serão mais emitidos e o motorista vai passar a ser notificado desde a primeira infração.
Com a medida, a previsão da Diretran e Batalhão de Trânsito (Bptran) é que o número de multas emitidas dobre. ''Pelo menos nos primeiros três meses'', estima o diretor do Diretran José Álvaro Twardowski. O órgão emite cerca de 11 mil advertências por mês, resultado da fiscalização pelos radares. O mesmo índice é registrado na emissão de notificações, que podem ou não virar multas, já que muitas vezes as pessoas recorrem da infração cometida.
Twardowski acredita que esse período de dois anos em que o aviso educativo estava em vigor foi suficiente para as pessoas se adaptarem aos radares. ''Agora, desde a primeira infração o motorista vai receber a multa'', ressalta. Segundo dados da Diretran, 89,38% dos veículos licenciados de Curitiba não receberam nenhuma notificação o ano passado. ''O que mostra que o motorista curitibano respeita a sinalização.''
Mas esse aparente respeito não reflete uma redução da incidência de acidentes de trânsito na cidade, o que demanda medidas emergenciais que serão tomadas pela Diretran e Bptran até o final do ano. O órgão pretende, por exemplo, instalar mais cerca de 20 radares na cidade. Atualmente são 44 radares fixos espalhados em diversos pontos.
Além disso a Diretran começa, a partir da próxima semana, a divulgar uma campanha de educação patrocinada pelo Ministério da Saúde. O objetivo é reduzir o número de vítimas por acidentes de trânsito. Em 1999, foram 26.552 acidentes. No ano passado, houve uma pequena redução para 25.587. Mesmo reduzindo o número de acidentes registrados, o índice de feridos e mortes decorrentes desses acidentes aumentou consideravelmente.
A Diretran registrou crescimento de 44,6% de mortes no local do acidente o ano passado em relação ao ano anterior. Mortes após o acidente de trânsito tiveram crescimento de 34,4% no mesmo período. ''Esses dados mostram que, apesar dos esforços não estamos conseguindo números satisfatórios para minimizar a violência no trânsito'', revela o presidente da Urbs, órgão que gerencia o trasnporte coletivo do Estado, Fric Kerin. Ele acredita que é preciso um trabalho intenso de educação para que as pessoas se conscientizem da importância dos cuidados no trânsito.


