'Radares são um mal necessário'
Curitiba - A diretora da Urbs, Rosângela Batistella, e outros especialistas em trânsito ouvidos pela FOLHA concordam que a função educacional dos radares fixos começa a ser percebida pela população. Nada mal para melhorar a imagem de um produto tachado de ''caça-níquel''.
As vocações educacional e preventiva desse dispositivo são percebidas em estatísticas de redução de acidentes em pontos das BR-376 e BR-277, que ligam Curitiba ao Norte do Estado. Segundo a CCR/Rodonorte, concessionária responsável pelos trechos, após a instalação do radar fiscalizando o limite de velocidade de 60 km/hora no km 413 da BR-376, em Tibagi (Campos Gerais), os acidentes caíram 80%. Na Serra de Luiz do Purunã, BR-277, próximo ao município de Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba), os acidentes diminuíram 58% após a instalação de três radares, comenta Gildo Pires, gestor de atendimento da concessionária.
Psicóloga especialista em trânsito, Adriane Machado, de Curitiba, acredita que a rejeição ao radar fixo por parte da população é resultado da falta de informação sobre os bons resultados que eles apresentam. ''As autoridades poderiam divulgar os resultados para que a população se torne mais simpática e dê credibilidade a esses mecanismos. Hoje, infelizmente, eles são vistos como indústria da multa'', resume.
Para Adriane, a rejeição ao controlador de velocidade é consequência do fato de o brasileiro, de uma forma geral, não se simpatizar com normas. ''Falta consciência de que o espaço público é de todos e que o importante é que todos cheguem bem ao local de destino. Muitos têm um comportamento egoísta e pensam 'eu vou chegar antes e o resto que se dane'. Mas eles têm que lembrar que o trânsito é um bem comum'', lembra a psicóloga.
O técnico em eletrônica E.P., 50 anos, foi multado duas vezes por excesso de velocidade, em rodovia e na área urbana de Curitiba. Uma delas, custou-lhe aproximadamente R$ 150. Ele diz que ao receber a notificação do Detran, sentiu ''raiva dele mesmo''. ''Fiquei revoltado por saber o que era certo e mesmo assim fazer o errado'', comenta. Na opinião do técnico, ''radares são um mal necessário''. (A.D.C.)





