Trabalho do Ipem começou nesta terça na Avenida Dez de Dezembro
Trabalho do Ipem começou nesta terça na Avenida Dez de Dezembro | Foto: Anderson Coelho



A equipe do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) iniciou na manhã de terça-feira (16) a aferição dos radares instalados na zona urbana de Londrina. Ao todo são 17 equipamentos implantados em vários pontos da cidade, fiscalizando a velocidade e o avanço de sinal em um total de 41 faixas de vias. Cada faixa equivale ao que eles chamam de laço. Se passarem três carros ao mesmo tempo todos eles são registrados pelo radar. Mas nem sempre esses equipamentos estão bem calibrados. Segundo Marcelo Trautwein, gerente regional do Ipem, a verificação dos radares é feita anualmente. "Em junho vence a verificação feita em 2016. A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) e a empresa que faz a manutenção dos radares nos solicitou que fizéssemos a verificação dos radares", explica.

Segundo Trautwein, a falta de uma calibração adequada dos equipamentos pode resultar em uma "falha" - uma pessoa que deveria ser autuada não recebe a punição. "Ou pode ser muito mais grave. A pessoa pode receber uma multa indevida, ou seja, por problemas de imprecisão do equipamento o radar pode penalizar alguém que não infringiu a lei", destaca.

O motorista Leomar Voigt, 32, alega que foi isso que aconteceu com ele. "Fui multado quando estava trafegando abaixo de 60 km/h e na multa constava que eu estava a 72 km/h. Para mim isso foi provocado pelo equipamento mal calibrado", afirma.

"Toda aferição é boa. Para mim não influencia tanto, porque eu não passo dos 60km/h. Mas se de repente passar por ali e o radar der mais do que eu estava, pode ficar ruim", destacou o autônomo Deusdete dos Santos, 63, e motorista há 40 anos.

O trabalho do Ipem começou pela Avenida Dez de Dezembro, na zona sul. Para fazer o teste, duas pistas foram interditadas em trecho de aproximadamente 300 metros. Um veículo equipado com um velocímetro especial do Ipem realizou as medições, que eram comparadas com as que foram registradas pelos radares, cujos dados eram transferidos para um notebook da empresa responsável pelos equipamentos. Era como se fosse uma competição de arrancada, com o veículo acelerando até atingir 70 km/h no ponto do radar e freando logo em seguida. Para cada faixa da via foram realizadas cinco medições.

O coordenador técnico da concessionária responsável pela manutenção dos equipamentos (Tecdet), Marco Dondi, explica que os problemas mais frequentes são relacionados a raios, que provocam problemas nos equipamentos de telefonia e internet, obrigando a empresa a trocar de modem. "Outro problema é o vandalismo. Neste equipamento da Dez de Dezembro quebraram o quadro de luz e duas placas eletrônicas que fazem a leitura queimaram e isso não é barato para consertar. Além do valor das placas, envolve custo do deslocamento e da mão de obra", expõe.

Segundo Dondi, os equipamentos da Rodovia Carlos João Strass (zona norte) e da Avenida Duque de Caxias (área central) são os mais atingidos pelo vandalismo. "O da Carlos João Strass já foi vandalizado três vezes e o da Duque de Caxias, na altura do número 5.077, já sofreu esse tipo de ataque duas vezes", aponta.

Embora tenha sido aferido nesta terça, os radares da Dez de Dezembro, em frente ao Instituto Médico-legal, precisarão passar por nova aferição. É que os equipamentos estão instalados no local que será a entrada do novo prédio do IML.

Com isso, eles terão de ser trocados de lugar. "Haverá interferência nos sensores no chão, no posicionamento do equipamento e tudo ficará diferente. Quando isso acontecer vamos fazer nova verificação para poder liberar. Enquanto isso, o equipamento não poderá multar até a nova verificação", explica, mas ressaltando que os radares estão em funcionamento. "Se um policial ou um promotor precisar de imagens para investigação poderá ter acesso a essas imagens", exemplificou.

MENOS MORTES
O funcionamento dos equipamentos influencia no número de óbitos totais registrados no trânsito em Londrina. Em 2014 foram 99 mortes e em 2015 foram 100, época que os equipamentos não estavam em funcionamento. Em 2016 esses números caíram para 89, período em que os radares voltaram a funcionar, apontando que os motoristas tomam mais cuidado ao circular por vias que possuem o equipamento de fiscalização.

O coordenador de Educação no Trânsito da CMTU, Carlos Eduardo Ribeiro, ressalta que as pessoas criticam o uso do radar, mas é uma forma eficiente de fazer os motoristas reduzirem a velocidade. "O radar funciona nessas vias, mesmo que seja pelo medo da multa e não por conscientização. Se o motorista passa a reduzir a velocidade, então o objetivo é atingido. Quando você analisa acidentes com mortes, com certeza a velocidade está ali", destaca. Segundo ele, o número de acidentes e pessoas lesionadas em locais com radar caiu em cerca de 50%. "É melhor que ele leve uma multa do que se acidentar, porque as consequências são bem piores; a 80 km/h ou a 100 km/h a chance de óbito é muito alta", aponta.

Ação da CMTU foi realizada no estacionamento de um supermercado: orientação e alerta
Ação da CMTU foi realizada no estacionamento de um supermercado: orientação e alerta | Foto: Ricardo Chicarelli



Estacionamento indevido gera multa moral
Quando o aposentado Orestes Fonseca, 77, saiu do supermercado e foi pegar o carro que estava estacionando na vaga especial para idoso, viu uma notificação emitida pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização. "Vai ter multa aí?", questionou. O agente da CMTU respondeu: "Você esqueceu de colocar credencial." Só depois Fonseca viu que a multa em questão não continha valores a serem pagos, tampouco custou pontos em sua carteira. "É só um puxão de orelha", disse o agente. No papel, emitido por um talonário eletrônico como se fosse um auto de infração normal, contam os dizeres: "Multa moral. O senhor estava estacionado em vaga regulamentada para estacionamento especial sem o uso da credencial. Sinta-se moralmente autuado". "Eu esqueci de colocar (a credencial, que estava guardada). Fui comprar uns negócios e acabei esquecendo", justificou o aposentado.

"As pessoas têm que saber respeitar essas vagas, porque é uma infração gravíssima. A multa é de R$ 293,45 e pode resultar em 7 pontos na carteira de habilitação", explica o coordenador de Educação no Trânsito da companhia, Carlos Eduardo Ribeiro. Ele explicou que a ação, além de servir para "puxar a orelha" pelo uso indevido das vagas, é também para orientar idosos e pessoas com deficiência que não sabem que têm direito à credencial. A atividade da CMTU é realizada nesta semana em estacionamentos de supermercados, shoppings e outros locais privados.

Imagem ilustrativa da imagem Radares de Londrina passam por aferição



Durante a ação, o coordenador conta que viu um jovem estacionando na vaga para idosos. "Ele poderia estacionar cinco metros para o lado e não faria a menor diferença, mas para uma pessoa com deficiência ou um idoso, cinco ou dez metros carregando compras é muito difícil", destaca.

Segundo Ribeiro, quando flagradas, a maioria das pessoas vem se desculpar. "Elas alegam que não sabiam que ali era local de estacionamento a idosos ou cadeirantes. Todos dizem que seria rapidinho, e que foi só dessa vez, com medo de que aquele papel seja realmente uma multa", relata.

O imobiliarista aposentado Mauro José Villa Fortes, 76, estacionou corretamente com a credencial e passou pelo crivo dos agentes. "Acho muito importante esse tipo de ação. Já encontrei muito carro sem cartão tanto em vagas para idosos como para pessoas com deficiência. É um problema de educação."

Londrina possui cerca de 9,8 mil vagas de estacionamento em vias públicas, das quais 163 são destinadas a idosos e 131 para cadeirantes. Já em estacionamentos de empresas privadas a legislação aponta que 3% das vagas devem ser destinadas a esse público especial. (V.O.)

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