Racionamento preocupa indústria
A estiagem também assusta as indústrias do centro-sul do país. Eles temem que haja racionamento na distribuição de energia elétrica nos próximos meses e uma crise ainda mais grave no próximo ano, que coincide com a recuperação econômica.
Os efeitos das distorções climáticas no Brasil são maiores que em outras nações, porque os rios respondem por 93% da geração da eletricidade consumida no país. Essa dependência deve baixar para 80%, com a construção de 49 centrais termoelétricas que funcionarão com gás natural, mas prevê-se que será difícil colocar todas em funcionamento antes de 2003. Faltam investimentos para que funcionem dentro do prazo previsto originalmente. Além disso, as empresas Siemens e General Electric já advertiram que não poderão produzir turbinas suficientes para atender a tempo o programa termoelétrico brasileiro.
O risco de ocorrer um déficit energético poderá alcançar 11,9% no sudeste e centro-oeste do Brasil, no próximo ano, reconhece um relatório da Eletrobrás, empresa que controla a geração de energia elétrica do setor estatal. O índice aceitável, nessas circunstâncias, é de 6%.
A Associação Brasileira de Consumidores de Energia, que congrega 52 grupos industriais (um quinto do consumo nacional), assinala que o racionamento voluntário é a única forma imediata de evitar o agravamento da situação.
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, por sua vez, divulgou um documento em que prevê um inevitável racionamento em 2001, sem descartar a possibilidade de início ainda este ano. Por isso, pede às empresas filiadas que acelerem os seus projetos de geração de energia e de conservação energética.





