Racionamento gera revolta em Cascavel
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O corte no fornecimento de água, em forma de rodízio, atingindo diariamente a metade dos domicílios de Cascavel, está provocando manifestações de revolta da população porque nem mesmo o cronograma do rodízio está sendo cumprido. O racionamento, atribuído à prolongada estiagem e deficiências na captação da Sanepar, foi iniciado anteontem. A Sanepar distribuiu folhetos e fez comunicados contínuos em emissoras de rádio, informando dias e regiões a ser atingidas de forma intercalada, mas isso não estava sendo cumprido.
Pelo cronograma, uma determinada região receberia água em um dia e no outro ela não seria abastecida, e assim sucessivamente em todos os pontos. No Jardim Canadá (zona norte), a dona de casa Maria Lúcia da Silva, 30 anos, disse que não teve água no dia anterior e ontem deveria ter mas não teve. Hoje é dia marcado no papel para não ter. Portanto, o rodízio é uma coisa de louco, afirmou. No bairro Cataratas (zona leste), até mesmo crianças de creche foram mandadas de volta para casa porque não havia água nem mesmo dos carros-pipa que estão sendo usados para atendimento emergencial.
Os protestos são ininterruptos em todas as emissoras de rádio, cuja programação trata quase exclusivamente do assunto pela insistência dos ouvintes que querem se manifestar. O gerente da Sanepar, Afonso Marangoni, admitiu problemas de ajuste no rodízio. Ele admitiu que o esquema é de difícil operacionalização e atribuiu à população parte da responsabilidade. O consumo de água continuou crescendo, embora alertas que fizemos. Segundo ele, só alguns dias de chuvas poderão minorar o problema. Ontem à tarde ocorreu chuva leve e de curta duração.
No entanto, mesmo em recentes períodos de chuva faltou água na cidade. A alegação da Sanepar era de problemas técnicos ou acidentais. A companhia reconhece que só com a conclusão de obras de ampliação do sistema a situação poderá ser definitivamente contornada.
As obras se concentram na estação de captação do Rio Cascavel, desdobrando outras já concluídas e que, no conjunto, devem ampliar a captação em 48% e a capacidade de reservação em 52%. A previsão é de que ainda este mês a etapa final do projeto esteja pronta, permitindo coletar 900 litros de água a mais, por hora, e armazenar 2,4 milhões de litros.
O presidente da Câmara de Vereadores, Misael Pereira (PFL), disse ontem que o racionamento e situações anteriores fazem crescer o apoio à proposta de municipalização do serviço de água e esgoto, formalizada em projeto de autoria do vereador Aderbal de Mello.
O contrato com a Sanepar vence em 2002 e se o projeto for aprovado logo, haverá tempo para todas as complexas providências para substituição da companhia por uma autarquia municipal. Pereira até ironizou: Particularmente, o Marangoni é um bom profissional, e acho que ele seria um bom gerente da companhia municipal.





