Rachadura ameaça derrubar casa. E de quem é a culpa?
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Adriana De Cunto Londrina 
Mário CésarCrise nervosaElza Niero Oliveira aponta parede do quarto rachada: Durmo com um olho aberto e o outro fechado Na madrugada do dia 19 de junho, a dona-de-casa Elza Niero Oliveira, 63 anos, foi acordada por um barulho de água escorrendo. Quando acendeu a luz, constatou que o encanamento do banheiro havia se rompido. Ela fechou o registro, sem imaginar que o pior ainda estava por vir: no dia seguinte, as paredes da casa, localizada rua Colibri, 15, conjunto Vitória Régia (zona leste), estavam com grandes rachaduras. As paredes do quarto ficaram comprometidas, assim como as da copa e banheiro. Até mesmo dois caibros tiveram que ser usados para escorar uma das paredes da copa.
Durmo com um olho aberto e outro fechado, conta. Elza teve que sair do quarto e está dormindo na sala. A tensão de ver a casa naquele estado provocou uma crise nervosa e Ela foi parar no hospital. Segundo a dona-de-casa, a rapidez com que as rachaduras tomaram conta da casa foi impressionante. Parece um raio. Dá um estalo e quando você vê a parede já abriu.
Elza é pensionista e vive sozinha na casa - o filho mora em um cômodo ao lado. Para permanecer no imóvel, ela teve que assinar um termo de responsabilidade junto ao Corpo de Bombeiros. A dona-de-casa chamou engenheiros da Prefeitura, Cohab e Sanepar. Todos estiveram na casa para averiguar o estrago. As únicas providências tomadas pela Prefeitura, diz Elza, foram o conserto do encanamento e o desentupimento dos bueiros. Pedi para arrumarem o encanamento porque fiquei três dias sem água.
A mulher acredita que a causa do vazamento e da rachadura foram os dois bueiros localizados em frente à sua casa, que ficam permanentemente entupidos. Ela diz que um engenheiro, amigo da família, emitiu um laudo técnico culpando os bueiros pela rachadura. O documento, segundo Elza, foi encaminhado para a Secretaria de Obras do município.
Elza lembra que as prestações da casa onde mora, construída há mais de 25 anos pela Cohab, já foram quitadas e por isso o imóvel não dispõe mais de um seguro. Em fevereiro venceu o seguro da minha casa, lamenta. Agora, ela quer que a Prefeitura arque com as despesas do conserto das paredes. A dona-de-casa diz que não tem condições de pagar sozinha pela reforma. Só de material eu vou gastar uns R$ 800,00.
O secretário de Obras do município, José Righi de Oliveira, diz que a Prefeitura enviou dois técnicos à casa de Elza Oliveira, logo que o problema aconteceu. Segundo os técnicos, a culpa da rachadura não é da Prefeitura. Ele aponta três aspectos que, acredita, inocentam o município. O primeiro é que a galeria pluvial corre no meio da rua e a água da boca-de-lobo escorre também para o meio da rua. Em segundo lugar, o imóvel está localizado 60 centímetros acima do nível da boca-de-lobo, impossibilitando a ocorrência de infiltração. A água não tem como subir para atingir a casa.
Na opinião dos técnicas da Prefeitura, ressalta Righi, a causa da rachadura é uma calha mal colocada na divisa da casa de Elza Oliveira e o vizinho. A casa faz divisa com outra propriedade que tem uma calha, que recebe a captação de água da cobertura, diz o secretário. A água, segundo ele, é jogada no canto onde surgiu a rachadura.
Righi diz que a Prefeitura terá boa vontade em resolver o problema imediatamente se for comprovada a culpa do município. Eu a aconselhei a abrir um processo, contratar um engenheiro que faça um laudo provando que o erro é nosso. Segundo o secretário, o documento assinado pelo profissional contatado pela dona-de-casa não prova a culpa da Prefeitura. Ele apenas diz que a dona Elza precisa sair da casa.


