O mau humor pode ser uma característica da personalidade. Quando não causa sofrimento para a pessoa e para os familiares não tem por que preocupar. ‘‘O mau humor só é doença se existe sofrimento’’, diz o psiquiatra João Winkelmann.
A estudante Juliana Macedo Araujo, 15 anos, é a ‘‘pimentinha da família’’. Enquanto a filha mais velha da dona de casa Mirthes, 44 anos, é considerada calma, a mais nova Juliana não é sinônimo de tanto sossego.
Na hora em que acorda, fica mal-humorada. ‘‘É preferível nem cumprimentá-la’’, alerta a mãe. Juliana explica: ‘‘Não gosto que me acordem. Adoro dormir.’’ Na casa e no colégio, todo mundo já sabe que é bom não mexer com ela, pelo menos nos primeiros 40 minutos do dia.
Juliana diz que durante o dia fica bem, mas se irrita com algumas coisas: quando a irm㠑‘pega no p钒 e até com as próprias ações. Também não gosta que falem mal dela. Quando é para definir o apelido pimentinha, diz logo: ‘‘É aquela que dá resposta para tudo e fica brava facilmente.’’ Mas também dá um desconto. ‘‘De vez em quando, eu sou bem-humorada. Até me espanto’’, afirma Juliana.
O arquiteto J.L., 32 anos, diz que às vezes passa por rabujento, mas na verdade só está tentando ajudar. ‘‘Também sou muito transparente e talvez isso pareça um pouco agressivo para algumas pessoas’’, explica.
J.L se considera uma pessoa bem humorada, mas, como todo mundo, tem seus momentos de mau humor. Ironias, descumprimento de horário, irresponsabilidade, desorganização e falta de dinheiro são algumas das coisas que abalam o humor do arquiteto. ‘‘Também fico angustiado pela demora de conseguir o que quero.’’
Segundo J.L, a melhor maneira de equilibrar o humor é fazer uma atividade fora do trabalho. Há seis meses, J.L parou de fazer esporte. Agora pretende voltar a nadar. ‘‘Você se sente mais leve, calmo e tolerante.’’
Apesar de não se considerar mal-humorado, o funcionário público Romualdo Ceslinski, 46 anos, diz que não é o bom humor em pessoa. Romualdo se define como uma pessoa retraída, que não faz muita brincadeira e prefere não falar muito. ‘‘É uma questão de jeito, não de humor. Não sou extrovertido, sou mais quieto, pacato.’’(AC)

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