'Rabeira': aventura que pode custar vidas
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sexta-feira, 17 de junho de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Quem circula pelas ruas de Londrina já se acostumou a observar uma cena tão comum quanto perigosa: adolescentes de bicicletas pegando carona nas traseiras dos ônibus urbanos. As empresas tentaram coibir a prática conhecida como ''rabeira'' colocando placas de metal embaixo dos pára-choques mas os ''caroneiros'' passaram a usar ganchos para se fixarem nos coletivos. Os motoristas alertam que o problema está disseminado por toda a cidade e, o pior, muitos pais nem imaginam que seus filhos arriscam a própria vida em troca de alguns momentos de aventura no trânsito.
Vivendo seis horas de seu dia circulando pelas ruas da cidade, o condutor da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), João Alberto Pinheiro, comentou que a ''rabeira coloca o motorista numa situação de estresse absoluto'', porque ele passa a se preocupar também com o adolescente que está enganchado na traseira do ônibus. Muitas vezes, os caroneiros nem são vistos pelo retrovisor e a possibilidade de acontecer um acidente grave aumenta sensivelmente. Aos motoristas, disse Pinheiro, resta tentar minimizar os riscos dirigindo defensivamente e reduzindo a velocidade.
Parar o ônibus e tentar convencer o ''passageiro'' ilegal a não continuar com a prática seria a alternativa mais coerente. Porém, segundo o motorista Leonildo do Prado, muitos caroneiros fazem ameaças e tentam depredar o veículo atirando paus e pedras. ''O pior é que agora muitos meninos estão pegando carona na porta traseira. Se cair é morte na certa porque vai parar bem debaixo da roda'', alertou. Segundo ele, nos últimos tempos até mesmo adultos estão abusando da sorte e se aventurando nas traseiras dos ônibus.
De acordo com os motoristas, a ''rabeira'' é rotina em todas as regiões da cidade, mas são mais frequentes em linhas de bairro-centro e nos principais corredores de trânsito, como nas avenidas Inglaterra (Zona Sul), Duque de Caxias e Leste-Oeste (área central), Padre Carlos João Strass (Zona Norte), Harry Prochet e São João (Zona Leste). Na tentativa de encontrarem uma solução para esse transtorno, tanto a TCGL quanto a Francovig soldaram placas metálicas embaixo dos pára-choques mas foram surpreendidas pela criatividade dos caroneiros, que improvisaram ganchos para se fixarem nos ônibus. Quando não conseguem, quebram lanternas e chegam até mesmo a abrirem a tampa do motor para terem um ponto de fixação.
O gerente de tráfego da TCGL, Daniel Martins, apontou que a empresa já fez campanha de conscientização dos adolescentes envolvendo Prefeitura, Conselho Tutelar e Núcleo Regional de Educação e o que se constatou foi que eles encaram a ''rabeira'' como diversão e escondem a aventura dos pais. ''O motorista tem a preocupação de dirigir para ele, para os passageiros e para os meninos'', destacou. ''É preciso fazer alguma coisa com urgência'', pediu o gerente de tráfego da Francovig, Milton Félix Santos. Ambos concordam que atitudes mais efetivas de combate à prática são urgentes para evitar que vidas sejam perdidas.


