R$ 147,00 por uma vaga na rua
Sexta-feira, 15 de fevereiro. É dia de colação de grau de formandos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no ginásio de esportes Moringão. Dia de alegria, de festa, de trânsito intenso, de flanelinhas a mil.
O repórter da FOLHA estaciona distante do ginásio, mas não escapa da abordagem de um ''cuidador de carro'', que lhe entrega um pedaço de papel com a placa do automóvel escrita à mão e logo avisa: ''São R$ 10 antecipados, senhor''. ''Pôxa, amigo, estou sem dinheiro'', responde o jornalista. ''Mas é que estão roubando muitos carros por aqui. Aí fica complicado para a gente...'', rebate o flanelinha.
Nas ruas mais próximas ao ginásio pelo menos 30 flanelinhas correm entre os automóveis. Gritam, apitam, chamam, insistem, conduzem os motoristas.
Não demora para os flanelinhas começarem a mandar os motoristas estacionarem na alameda Julio de Mesquita Filho, que passa ao lado do ginásio e onde o estacionamento é proibido. O primeiro a cair na pressão dos ''cuidadores'' é o motorista de uma caminhonete importada. Depois dele, outros 15 motoristas vão no embalo dos flanelinhas, que pedem R$ 20, antecipados, pela vaga em local proibido. Um dos motoristas questiona. ''Será que eu não vou ser multado?''. Mostrando convicção e já guardando os R$ 20 recebidos no bolso, o flanelinha responde: ''É claro que não, senhor. Com a gente é garantido''. Trinta minutos depois, todos os carros estacionados foram multados por um soldado da Polícia Militar.
A multa aplicada nesse caso é de R$ 127. Com mais R$ 20 pago aos ''cuidadores'', os motoristas gastaram R$ 147. Porém, nenhum deles achou os flanelinhas para reclamar quando saiu do evento. Assim que o movimento de carros em busca de vagas terminou a grande maioria dos ''cuidadores'' foi embora.
O irônico da história é que o estacionamento mantido pelo Colégio Estadual Vicente Rijo, ao lado do ginásio, oferecia seguro e cobrava R$ 10.
''Eu sou de outra cidade. Eles (os flanelinhas) me induziram a estacionar na rua, justamente no local em que os carros estão sendo multados. Porém, quando eu já estava entrando no ginásio, vi que há um outro estacionamento cercado. Voltei, tirei o meu carro da rua e levei para o estacionamento que verdadeiramente oferece segurança. O poder público tinha que fazer alguma coisa'', queixou-se o engenheiro civil Mário Pigati, que veio de Blumenau (SC) para acompanhar a colação de grau da filha que estava se formando em Engenharia Elétrica. Por um minuto, ele escapou da multa.(W.S.)





