Quitação de dívidas com Governo acaba na Justiça
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 1998
Guilherme Vieira 
Marcelo AlmeidaMovimentoReunido ontem, Fórum das Entidades Sindicais anuncia também campanha salarial dos servidores para esta semanaO Fórum das Entidades Sindicais dos Servidores Públicos Estaduais decidiu entrar na Justiça para pedir o sequestro de bens do Estado como garantia para o pagamento de dívidas trabalhistas vencidas. Esses valores são resultantes de precatórios dos anos de 1996 e 1997 que, segundo representantes do Fórum, deveriam ter sido quitados até o dia 31 de dezembro do ano passado.
A decisão envolve 11 sindicatos de servidores estaduais e deve ser concretizada após o Carnaval, quando o Fórum tiver concluído junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) o levantamento que vai determinar o valor da ação. No TRT também vamos solicitar audiência para saber por que foram suspensas as negociações que facilitavam o entendimento com o governo, para tentar retomar esses pagamentos, disse o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SindSeab), Roberto de Andrade Silva.
RepasseDeve sair até sexta-feira a decisão jurídica sobre a iniciativa do governo estadual de suspender o repasse da contribuição dos servidores, transferido diretamente da folha de pagamento para o Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) e Sindicato dos Servidores do Estado do Paraná (Sindiservidores). O parecer foi motivado por um mandado de segurança impetrado no dia 3 de fevereiro no Tribunal de Justiça pelos dois sindicatos, para garantir a volta do repasse.
Já estivemos três vezes com o secretário da Administração, Reinold Stephanes Junior, que nos informou que o governador resolveu cortar o dinheiro porque o sindicato estava incomodando durante as negociações em 1997, disse o presidente do Sindiservidores, Vladimir de França.
O repasse da verba dos sindicatos foi suspenso no mês de janeiro e é fundamental para a sobrevivência das entidades. Desde então os funcionários estão com 50% dos salários atrasados e os sindicatos sem recursos para suas despesas de manutenção.
Segundo França, essa ação do governo do Estado desrespeita a Constituição Federal e as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) por ir contra uma decisão da categoria tomada durante assembléia, o que caracteriza uma intromissão do governo dentro dos sindicatos. O dirigente disse acreditar que essa atitude deve ser bloqueada pela Justiça, uma vez que em 1993, durante o governo de Roberto Requião, o mesmo golpe contra os sindicatos mas uma determinação judicial obrigou o governo a voltar atrás.
O Fórum das Entidades Sindicais deve retomar esta semana a campanha salarial dos servidores do quadro geral do Estado que, segundo os sindicalistas, estão há 29 meses sem receber qualquer aumento.


