Quinze presos do 2º Distrito Policial (DP) fugiram ontem de uma das celas modulares instaladas no local para amenizar o problema de superlotação enfrentado pela carceragem. A fuga ocorreu às 4 horas da madrugada. Os presos conseguiram sair após serrarem um quadrado de 25 centímetros na parede da cela, que é revestida em aço e ferro. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial de Londrina, Sérgio Luiz Barroso, não acredita que a ocorrência tenha relação com as rebeliões coordenadas pelo PCC em presídios de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Barroso informou que, após a parede ter sido serrada, um dos homens saiu pelo buraco, arrebentou o cadeado e abriu a porta para os outros sairem. O cadeado de outra cela modular também foi aberto, mas a guarda externa do distrito, feita por policiais militares, conseguiu conter a fuga. Até o final da manhã de ontem, nenhum dos fugitivos havia sido recapturado.
Barroso acredita que a serra utilizada pelos presos foi enviada por detentos da carceragem anexa ao DP, através do chamado ''telefone'' (espécie de varal, feito com barbante, utilizado para transportar objetos). Para o delegado-chefe, a fuga aconteceu por falha na vigilância. ''A serra entrou porque houve falha na revista dos visitantes'', afirmou, acrescentando que os policiais da vigilância externa também deveriam ter percebido o barulho feito pelos detentos quando a cela estava sendo serrada.
Um inquérito policial foi aberto para investigar as circunstâncias da fuga. ''Vamos verificar, inclusive, se não houve conivência de policiais'', afirmou. Além de investigar possíveis problemas na revista (feita por policiais civis), ele pretende entrar em contato com o comando da Polícia Militar (PM) para averiguar eventuais falhas na vigilância externa. O tenente Ricardo Eguedis, responsável pela assessoria de comunicação social do 5º Batalhão da PM em Londrina, afirmou que a corporação vai aguardar o contato de Barroso para saber detalhes sobre o possível problema identificado no 2º DP. ''Por causa dos ataques em SP, o policiamento está reforçado'', esclareceu.
O Instituto de Criminalísitca (IC) foi acionado para analisar os estragos feitos à cela. ''A empresa fabricante será chamada para prestar esclarecimentos sobre a segurança'', disse. Segundo o delegado, um muro começou a ser construído na semana passada para isolar as celas modulares e evitar a comunicação com os presos da cerceragem. ''Também reforçamos a parte externa com grades e concreto e instalamos alarmes com sensores de movimento para evitar fugas'', explicou.
O 2º DP tem cinco celas modulares com capacidade total para 64 detentos, mas somente duas estavam sendo utilizadas. Barroso afirmou que os detentos recolhidos nestas celas eram os que apresentavam problemas de comportamento e foram encaminhados para lá por medida disciplinar. Ainda segundo o delegado-chefe, todas as celas voltarão a ser utilizadas quando o muro de isolamento estiver terminado e o solário for instalado. A previsão é que as obras se encerrem na próxima semana. Os outros 15 presos que não conseguiram fugir continuam recolhidos na cela modular.

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