Quinze ocorrências a cada 24 horas
Curitiba - Ao longo de 2008, segundo a Polícia Militar (PM), foi registrado, em média, o atendimento de 15 ocorrências a cada 24 horas, em Piraquara. Ainda de acordo com a PM, a média era, há alguns anos, de oito ocorrênias por dia. Embora o número pareça baixo, se comparado com parâmetros da Capital, a informação mostra um aumento gradual. O dado não conta crimes não registrados pelas vítimas.
"Devido a construção de várias cadeias aqui aumentou o fluxo de ocorrência nos últimos anos", explicou o sargento Arlindo Schmidt, comandante do destacamento da PM em Piraquara.
Não é apenas o sargento que tem essa explicação para o aumento das ocorrências. Para o vereador Miguel Scrobot, os crimes têm relação direta com o aumento do número populacional, principalmente com o crescimento de familiares de presos que se mudam para a cidade para estar mais próximo dos detentos. Piraquara abriga o maior complexo penal do Paraná.
"Essas pessoas, os familiares de internos, vêm para cá (Piraquara) e não têm fonte de renda. Eles vêm para cuidar dos detentos. Para cada penitenciária criada, o governo do Paraná poderia pensar junto com o município como poderia gerenciar as pessoas que vêm com os presos", sugeriu o vereador.
Outro motivo para o aumento dos registros seria o baixo número de policiais e de viaturas, efetivo que o sargento admite que são insuficientes. "Para atender crime, é só uma viatura", afirmou o sargento Arlindo Schmidt.
Na opinião de Schimidt, há casos em que a demora do atendimento da PM é porque acidentes de trânsito retêm a viatura. Em outras situações, a viatura da PM faz o serviço de ambulância, conforme relato do sargento.
A única viatura que cuida dos 82 mil habitantes da cidade é um veículo do Projeto Povo (Policiamento Ostensivo Volante), que deveria visitar as residências e se manter em contato com a população diariamente para facilitar o atendimento das ocorrências.
"Já foi conversado com o comandante do 17º Batalhão, mas não é apenas Piraquara que tem necessidade. Aqui pode estar melhor do que outras cidades", afirmou Schimidt. Entre as alternativas para melhorar a segurança, o próprio sargento já disse que a Prefeitura de Piraquara deve conseguir que os bares fechem a partir das 23 horas. "Há ainda um estudo para a implantação da Patrulha Rural e a Patrulha de Trânsito aqui", disse. O sargento comentou, ainda, que há estudo de implantação de uma guarda municipal na cidade.
Mas não é apenas a Polícia Militar que precisa de mais efetivo. Apesar de a delegacia local estar bem servida de viaturas, com cinco carros, na opinião do delegado Antonio Macedo de Campos Junior, o problema é a falta de investigadores.
"A carência é mais humana, mas agora tem policiais terminando a Escola da Polícia Civil e devem reforçar as delegacias da RMC. Há cinco investigadores na unidade, dois escrivães e um delegado. Outros dois investigadores estão em férias. Para o promotor André Calixto, a presença das penitenciárias não é o principal problema da segurança de Piraquara, mas o município deveria ser olhado de maneira diferente pelo governo do Paraná. "A cidade abriga seis penitenciárias. Por isso, a segurança pública em Piraquara não pode ser tratada da mesma maneira que outra cidade qualquer", afirmou.(D.R.)





