Curitiba - Enquanto representantes de entidades discutiam ontem segurança bancária, em uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Paraná (Alep), um vigilante foi baleado na cabeça e um assaltante morto durante um assalto a um carro-forte estacionado em frente ao hospital infantil Pequeno Príncipe, em Curitiba.
De acordo com um levantamento do delegado de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) e ex-titular da Delegacia de Furtos e Roubos da capital (DFR), Rubens Recalcatti, são cometidos cerca de 10 a 15 crimes em ''saídas de bancos'' por mês em Curitiba. Somente no primeiro trimeste do ano, foram 41 assaltos a clientes que saíam de agências, cinco a caixas-automáticos e seis roubos a agências bancárias na Capital. Nos últimos quatro anos, cinco pessoas foram assassinadas ao saírem de bancos, postos de atendimentos e caixas automáticos em Curitiba.
Recalcatti e representantes de entidades como os sindicatos dos Bancários de Curitiba e Região e das empresas de Vigilância, além das polícias Civil e Federal estiveram reunidos, a convite da liderança do PT na Alep. O consenso: bancos deveriam investir mais na segurança de seus clientes, funcionários e da população que circula no entorno de suas agências.
Por diversas vezes os membros da mesa citaram os altos lucros das empresas financeiras e a limitação delas à Lei da Segurança Bancária (7102/83), considerada ultrapassada pelos debatedores. A Lei exige que os bancos disponibilizem dois vigilantes por agência, e que as agências tenham alarme, porta detectora de metais, câmeras de vigilância e cofre com dispositivo de retardo. ''Algumas agências bancárias são parcialmente desprovidas de dispositivos de segurança'', disse o delegado-titular do Cope (Comando de Operações Policiais Especiais), Miguel Stadler, unidade responsável pela investigação de assaltos a banco. O superintendente da PF no estado, Delci Carlos Teixeira, concordou: ''O foco deste debate é que os bancos investissem mais na segurança de seus funcionários e clientes''.
O titular da Furtos e Roubos, o delegado Luiz Carlos de Oliveira, lembrou de uma ocorrência em frente a uma agência na Avenida das Torres, que resultou numa vítima baleada. Segundo ele, não havia câmeras de monitoramento internas ou externas que auxiliassem a investigação policial.
O secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, sugeriu que os bancos adotem normas de segurança semelhantes às dos aeroportos, melhorando a qualidade de seus equipamentos (mais portas detectoras de metal bem-calibradas) e pessoal (vigilantes com treinamentos específicos e melhor remunerados) e intensificando o esclarecimento de como o cliente deve se portar numa agência quando estiver retirando valores.
No ano passado, entidades participantes da audiência promoveram o 3º Seminário Nacional de Segurança Bancária, quando elaboraram uma pauta de reivindicações contendo 25 ítens, demandando desde alterações na política nacional de segurança até mudanças nos layouts de agências, enviada à Federação Nacional dos Bancos (Febraban) e a diversas entidades do poder público.
A Febraban informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que apenas no ano de 2007 os bancos teriam investido R$ 7 bilhões em segurança no Brasil inteiro. O número, de acordo com a entidade, é 72% maior se comparado com o ano 2000. A Febraban ainda informou que desde 2000 os assaltos às agências têm diminuido. Em 2000, o órgão registrou 1.903 assaltos, em 2001 teriam ocorrido 1.302. Já em 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, ainda segundo a Febraban, teriam acontecido 1.009, 886, 743, 585 e 674, respectivamente.

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