Moradores de ruas próximas à Universidade Norte do Paraná (Unopar), no Jardim Piza (zona sul de Londrina), encontraram uma maneira criativa de conseguir dinheiro. Percebendo a dificuldade dos estudantes e funcionários para encontrar vagas para seus carros, os moradores improvisaram estacionamentos nos quintais de suas casas.
O fluxo de veículos nas proximidades da Unopar é grande. Segundo pesquisa realizada pela empresa Federal Parking, no período noturno entre 1.500 a dois mil veículos param nas redondezas da instituição.
Josoé de CarvalhoCom vaga garantida, alunos não perdem tempo rodando com o carroSão mais de 15 estacionamentos ‘‘caseiros’’ nas proximidades da instituição, principalmente na Avenida Paris e na Rua Marselha. Basicamente, os ‘‘proprietários’’ de estacionamentos cobram R$ 1 por dia ou R$ 20 para mensalistas. Alguns são bastante discretos e passariam despercebidos se não fosse a quantidade de veículos nos quintais. Outros moradores tiveram a idéia de alugar terrenos, colocaram faixas e cartazes avisando que no local funciona um estacionamento.
O técnico em informática Frederico Siena, morador da Rua Paris, conta que a idéia de improvisar um estacionamento no terreno da casa foi do pai, há dois anos. Segundo ele, no início, o pai fazia negócio ‘‘na base da confiança’’. ‘‘Ele dava cópias da chave do cadeado para as pessoas, que podiam entrar e sair’’, observa.
Atualmente, é Frederico Siena quem cuida do negócio. ‘‘É um salário até razoável porque na minha área está difícil arranjar serviço’’, relata. O quintal da casa tem capacidade para abrigar 16 veículos, sendo que a maioria é mensalista. Ele garante que toma todos os cuidados com os carros.
Josoé de CarvalhoFrederico: ‘‘É um salário razoável. Na minha área está difícil’’Além da comodidade e segurança, ele acredita que muitas pessoas optam por deixar seus veículos em estacionamentos em vez de parar na rua pelo tratamento que recebem. ‘‘Aqui, se eles quiserem, usam o banheiro de casa, tomam água’’, exemplifica o técnico em informática.
Eliseu Borba Cordeiro, que mora na Rua Marselha, alugou um terreno baldio ao lado de sua casa para servir de estacionamento - a capacidade é para 10 carros. Ele explica que resolveu partir para este negócio porque percebeu o aumento do fluxo de veículos. ‘‘Estou praticamente desempregado e esta é uma forma de ajudar no orçamento de casa’’, justifica.
Cuidadoso, ele até instalou uma guarita no canto do terreno, onde fica quando chove. ‘‘Eu não saio daqui até sair o último carro, a responsabilidade é grande’’, afirma. Além de poder ganhar um dinheiro extra, ele ressalta que o trabalho é bom porque acaba conhecendo pessoas diferentes. ‘‘A gente acaba pegando amizade com o pessoal’’, relata.
Um outro morador que prefere não se identificar, diz que cuidar de carros é uma questão de sobrevivência. ‘‘Ganho um salário mínimo de aposentadoria. Acha que dá para sobreviver com isso?’’ O operador de máquinas Davi Durão diz que começou a usar o quintal como estacionamento há pouco mais de um mês. ‘‘Uma parente minha pediu para deixar o carro aqui e ela acabou trazendo mais pessoas’’, relata. Ele garante que empresta o seu terreno mais para ajudar do que para ganhar dinheiro. ‘‘Eu não viso lucro, eles pagam o que querem.’’

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