A Região Central de Londrina apresenta o maior índice de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, com 3,1%. Os dados foram coletados na semana passada pela Secretaria Municipal de saúde, através do Levantamento de Índice Rápido de Amostragem (Lira). De acordo com o levantamento, os focos estão concentrados principalmente nas vilas Casoni, Marizia, jardins Kase, Castelo e no Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa.
Segundo Sônia Fernandes, diretora de Epidemiologia e Informações em Saúde, a novidade é que 70% dos focos estão concentrados nos quintais de imóveis comerciais e residenciais, principalmente, em plásticos, garrafas e pequenos recipientes espalhados. ''Nos levantamentos anteriores a maior concentração das larvas eram em terrenos baldios e vasos de plantas dentro das casas. Hoje os quintais se tornaram os grandes vilões'', afirmou.
Morador da Vila Portuguesa há mais de 40 anos, Laércio Duarte diz que não gostaria de enfrentar as dores da dengue novamente. ''Há dois anos, fiquei internado durante três dias, tomando soro e sentindo muita dor. Só quem teve dengue sabe do que estou falando'', afirma Durte, que receia uma epidemia no bairro. ''Toda vez o bairro aparece com alto índice de infestação. É impossível que as pessoas ainda não tenham conhecimento que a dengue pode até matar'', desabafa.
Não muito longe do bairro de Duarte, outra família também já foi hospitalizada por causa da dengue. ''Eu, minha tia e meu primo já tivemos dengue e agora tenho muito medo que meu filho, de 2 anos, também seja picado pelo mosquito'', conta Elis Regina Gonçalves, moradora da Vila Marizia há 30 anos, que trabalha com coleta de material reciclável. Mesmo fazendo sua parte em casa, Elis afirma que é muito difícil combater o mosquito no bairro. ''Nós fazemos nossa parte, mas infelizmente, o mato alto e o lixo que aglomera viram alvo fácil para o mosquito'', diz.
O diretor de Saúde Ambiental da secretaria, Rogério Lampe, diz que as ações para combater o mosquito transmissor não param. Segundo ele, para cada caso notificado da doença nas unidades de saúde é realizado o bloqueio com aplicação de inseticida, nas ruas próximas à residência da pessoa notificada. ''Com este levantamento realizaremos reuniões com as lideranças comunitárias para definir qual o manejo mais adequado para o momento'', garante.
O Lira apontou ainda um índice de infestação de 2,2% nos jardins Eucaliptos, Novo Amparo, Santa Mônica e Paraíso. Nos jardins Santa Fé, Marabá, Ilha Bela, Meton e Valdemar Hauer o índice de infestação é de 1,1%. Já o índice geral ficou em 0,9%.
Mas mesmo o índice sendo abaixo de 1%, a diretora de Epidemiologia não descarta o risco de epidemia. ''Estamos preocupados com os índices regionais e estaremos reforçando o manejo para evitar o aumento de focos nesses bairros. No entanto é importante que a população colabore, retirando de seus quintais todo tipo de utensílio que acumule água'', diz .
Confirmações
Conforme dados da secretaria de Saúde, do início do ano até agora, já foram confirmados 33 casos de dengue em Londrina, sendo 25 autócnes e sete importados. No total, as notificações apresentam 1.506 casos, sendo que 594 foram descartados e 879 ainda aguardam o resultado de exames. Das cinco pessoas que viajaram para o Rio de Janeiro, na semana passada, um caso foi confirmado e os demais continuam sendo investigados.

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